10.10.09

Big Shitty Movies #7: Godzilla


Atenção:
Essa temível criatura solta spoilers radioativos.

É difícil não pensar em Godzilla quando o assunto é filmes de monstros gigantes. A criatura é talvez o maior expoente do cinema japonês, com um invejável currículo de 28 longas metragens, sendo o último rodado em 2004. Durante seus 50 anos de existência, o “Rei dos Monstros” já enfrentou monstros como Mothra, King Guidorah, Mecha Godzilla (uma versão robô do próprio), e até mesmo KING KONG. Alem do combate a outras criaturas, o exercito japonês é um adversário tradicional do monstro... Sendo um de seus maiores “fregueses” em combate.

Ainda em 2004, Godzilla ganharia uma estrela na calçada da fama, em Hollywood. Alias, falando na capital do cinema, os estúdios Americanos sabiam do potencial do monstro japa, afinal se com um cara vestindo uma roupa de lagarto gigante, pisoteando e destruindo maquetes de cidades, conseguiu ter todo esse sucesso... imagina um feito em Hollywood ? Uauuu seria extremamente foda! E ainda para essa adaptação, foi chamado Roland Emmerich, um dos diretores que mais gostam de promover destruições em seus filmes (vide Independence Day), tinha tudo para dar certo .... É... Tinha. xD

PLOT DOES MATTER

Na Polinésia Francesa, a radiação causada por teste nucleares promovidos pelo governo Frances provoca uma transformação na vida da região e uma destas mutações é o surgimento de um colossal réptil. Quando esta criatura se dirige em direção a costa Americana, o governo Americano reune um grupo de pessoas para enfrentar a grande ameaça.

Entre essas pessoas, está o biólogo Niko Tatopoulus, que estará prestes a fazer uma terrível descoberta em relação a criatura.


GODZILLAAAA!!!!

Em um filme de Monstros Gigantes, o momento mais esperado pelas pessoas que assistem é a primeira aparição da criatura, principalmente quando essa não é mostrada nos pôsteres e nos trailers da película. Afinal de contas, quem aqui não ficou curioso para ver o monstro em Cloverfield?

Em 1998, os produtores usaram desse artifício para instigar a curiosidade do espectador, mostrando apenas algumas partes do corpo do monstro em vez de mostrá-lo por completo.

Enfim, se o objetivo era criar expectativa para conhecer o novo Godzilla, ponto para os produtores. Porem, o tiro acabou saindo pela culatra, justamente quando a criatura faz sua primeira aparição. Eu imagino que quando o filme foi exibido no Japão, no exato momento dessa cena, alguém da platéia deva ter gritado: “GOOODZIIII... LLA?!”.

Sim meus amigos, o Godzilla Made in America em NADA lembra o original, mas em NADA MESMO.

O Godzilla de Emmerich em nada lembra a criação do produtor Tomoyuki Tanaka, do diretor Ishiro Honda, do mago dos efeitos Eiji Tsuburaya (o pai do Ultraman) e do compositor Akira Ifukube. Enquanto na japonesa temos um lagarto bípede que anda por ai soltando baforadas atômicas, na versão americana temos um dinossauro deformado que deve ter crescido mais que o normal graças à máquina do filme “Querida, eu estiquei o bebe”. De semelhante à versão original, apenas a “voz característica”. Bafo Atômico? Como diria Padre Quevedo: “Isto non Ecxiste!”

O cineasta Roland Emmerich é alemão de nascença, mas isso não impediu de tornar se um amante incondicional dos EUA. Somente isso para explicar a enorme diferença entre seu monstro do original. Em vez de se basear nos filmes japoneses, o diretor usou como base os dinossauros maravilhosamente recriados por Spielberg em Jurassic Park.

Em outras palavras, você pagava o ingresso para assistir a um filme do Godzilla, e acabava vendo uma versão bizarra de Parque dos Dinossauros.

Que pilantragem, ein senhor Emmerich ?

Mas mesmo utilizando um criatura diferente, o diretor conseguiu falhar em algo que ele justamente (para não dizer unicamente xD) sabia fazer: DESTRUIÇÃO. Afinal de contas, estamos falando do cara que destruiu a Casa Branca em “Independence Day", que destruiu parte de Manhattan em ”O dia depois de amanhã”, e que até o Cristo Redentor mandou para o saco em “2012”. Aqui, o seu Godzilla não passa por cima de prédios, não os derruba e muito menos está interessado em tocar o terror nos pobres corações dos Yankees. A criatura de Roland Emmerich utiliza as ruas para andar (um monstro bem civilizado não?), só comete destruições de propriedade privada quando o atacam e seu maior interesse é dar uma voltinha pelas ruas de Nova York para escolher um ninho para botar os seus... OVOS?! SIM, o Rei dos Monstros bota ovos... ou seria Rainha dos Monstros ? (ou seria os dois ;x ?)

Falando em ninho, o lugar onde Godzilla escolheu para botar seus ovos foi em um estádio de Beisebol. Agora me explique señor Emmerich, como a criatura conseguiu botar os ovos na parte subterrânea do estádio sem que ninguém percebesse? Alias, é nesse trecho do filme que fico realmente convencido que o diretor tentou copiar Spielberg. Quando os ovos chocam, os bebes Godzilla são nada mais que versões bizarras de Velociraptors. As seqüência em que personagens fogem desses bebes, praticamente remete a perseguição dos Velociraptors do Jurassic Park. Super Original!

E para terminar, Godzilla é morto por caças do exercito Americano. Sim, o invencível Rei dos Monstros não pode contra o poderio bélico Norte Americano. Das duas uma: ou o exercito americano realmente é foda, ou o japonês é totalmente incompetente. Afinal, nos filmes japoneses Godzilla já recebeu uma chuva de mísseis de caças japoneses e continuou todo serelepe. Eu prefiro pensar que isso é delírio do Emmerich xD.

Godzilla (como diria James Rolfe, o Angry Video Game Nerd). A versão americana, alem de ser totalmente diferente do Rei dos Monstros, age de uma maneira diferente também. Enquanto o japonês só quer saber de destruir tudo que estiver na frente, o americano segue os instintos normais de um animal qualquer. Como dito acima, quem esperava ver um filme de Godzilla, se decepcionou com o que viu.

O elenco do filme não compromete. Desse time de atores, podemos destacar Matthew Broderick que aqui vive o personagem principal da trama, o Dr. Niko Tatopoulos. Seu desempenho no filme não compromete, mas convenhamos, seu maior momento foi em Curtindo a vida Adoidado, na pela do inesquecível Ferris Bueller. Broderick ainda chegou fazer papéis com relevância como a voz de Simba no Rei Leão, mas sua melhor atuação continua sendo no clássico oitentista de John Hughes.

Quanto a parte técnica, o filme conta com bons efeitos especiais. O Godzilla criado em CGI é totalmente palpável, você realmente acredita que ele exista. Mas diferente dos dinossauros recriados em Parque dos Dinossauros, ele não chega a encantar. Quanto a trilha sonora, a musica tema composta por Akira Ifukube faz falta, mas muita falta.


Sayorana Gojira!

A versão Americana de Godzilla fracassou nas Bilheterias e desta forma, enterrou a chance de novas continuações cinematograficas. O gancho mostrado no final do filme acabou sendo usado na série animada Godzilla: The Series, que durou 40 episódios. Atualmente há expeculações de uma nova versão Hollywoodiana do Rei dos Monstros.

Apesar do fracasso, os japoneses não negaram a existência do americano, muito pelo contrario, eles adicionaram o monstro a seu universo. Godzilla Americano acabou se tornando apenas Zilla, e até mesmo já fez uma participação na franquia japa enfrentando o verdadeiro Rei dos Monstros em Godzilla Final Wars.

A versão Americana não durou 1 minuto contra a original xD

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4 comentários:

Marcel disse...

Você concorda ou discordo com o texto acima ? Você quer dar uma sugestão de filmes que poderiam figurar nessa sessão ? Comentem =)

Julian disse...

hahaha ai algumas fotos então do godzilla original
http://scifipulse.net/wp-content/uploads/2009/08/godzilla.jpg
http://tkmrgn.files.wordpress.com/2009/02/fm475_king_kong_vs_godzilla.jpg
tah certo que não é aquele primor gráfico, mas tem muito mais estilo hehehe muito boa essa coluna, soh faltou mesmo a imagem do velho e bom Godzilla

Luciano Martins disse...

Esses Americanos tem uma mania inigualável de querer transformar demais um filme bom e que faz sucesso, não fico surpreso ao ver que
GODZILLA foi mais 1 alvo da franquia japonesa que foi transformato em um "holy crap" xP, fico feliz que os japoneses não foram escrotos o suficiente pra falar que não contaria como um filme do GODZILLA(imagine a papelada que rolaria pra mudar o nome de um filme sem contar o dinheiro gasto com cartazes e propagandas). Anyway, algumas coisas japoneses sempre vão superar as americanas não só pelo belo trabalho e dedicação oriental e sim por não querer mudar algo bom ja existente.

André disse...

Cara, eu realmente tenho orgulho do meu irmão. Quando ele falou que o Big Shitty Movies #7 seria Godzilla, pensei: O Marcel vai ter que argumentar muito bem pra mostrar o porque o filme merece estar na coluna. E ele realmente conseguiu ! xD

Eu realmente não vi o filme contando por esses lados, até porque não o assisti com expectativas de se igualarem ao Godzilla que todos nós amamos (??) . De qualquer forma, quando apareceu o Lagartão na longa metragem de hollywood, eu imediatamente pensei: É ISSO? ele é menor que uma torrezinha de rádio mano. Me decepcionei terrivelmente com ele, como meu irmão bem frisou " um Dinossaurinho deformado do Spielberg ".

Por outro lado, eu realmente gostei dos efeitos especiais. Se o lagartão gigante era pequenino, pelo menos era bem palpavel. Movimentava-se bem, tinha textura, expressões. Nessa parte fizeram bem o seu trabalho. Se bem que, ultimamente não podemos avaliar os filmes por efeitos especiais, porque tem muito filme que faz bem esse papel, mas que no final é uma DROGA.!

Encurtando a historia, era um filme que tinha tudo para dar certo, eu ainda acho que o nosso dinossauro(a)-deformado(a)-civilizado(a)-botador-de-ovos foi simpatico, não chegou a ser total shit como os outros filmes citados. Mas sim, ele ainda esta muuuuuuuuuito longe de estar bom.

Vida Longa ao eterno japoronga GOOOOODZILLA!

P.S.: Ahh sim, Zilla toma um sopapo federaa do Godzilla japones, isso eu curti pra cacete. Good one.!

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