12.8.12

[Crítica] Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge


Quatro anos após o divisor de águas chamado Batman - O Cavaleiro das Trevas (The Dark Knight, 2008), o diretor Christopher Nolan retorna mais uma vez à Gotham City a fim de finalizar a saga de Bruce Wayne e de seu alter-ego, o Batman Bátema.

Além de encerrar a história iniciada em Batman Begins (2005), Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012) possuía a "ingrata" missão de dar sequência a uma das produções mais aclamadas dos últimos tempos e, por conta disso, a expectativa do público e da crítica em relação ao filme era monstruosa.

Com o lançamento do filme, um questionamento tem pairado no ar: The Dark Knight Rises conseguiu superar The Dark Knight?

Se você está baixando o torrent indo ao cinema esperando algo do nível de Cavaleiro das Trevas, é bem possível que irá se decepcionar.

O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um filme inferior ao seu antecessor em vários aspectos: o ritmo bem menos frenético, vilões menos interessantes (comparados ao Coringa e ao Duas Caras) e soluções de roteiro que podem incomodar os expectadores mais exigentes. Esses fatores colaboram para que este terceiro episódio não supere o imbatível TDK.

"Porra Marcel, então quer dizer que o filme é uma merda?"

Alfred, o que a minha tia está fazendo aqui?
Mas é óbvio que não, meu jovem!

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge é um PUTA DE UM FILMÃO. Mesmo não superando o seu trabalho anterior, o cineasta Christopher Nolan fechou sua trilogia sobre o homem morcego com chave de ouro.

A trama do longa começa exatos oito anos após a morte do promotor Harvey Dent (Aaron Eckhart). Assumindo a culpa pelos crimes cometidos pelo promotor, Batman passa a ser perseguido pelas autoridades lideradas pelo comissário Gordon (Gary Oldman), desaparecendo da vista de todos após a fatídica noite. O falecimento de Dent dá inicio a uma lei onde os criminosos são levados a prisão sem direito a soltura. Graças a isso, Gotham City torna-se um lugar seguro, sem a necessidade de um vigilante para protegê-la.

Aposentando do manto do morcego e totalmente deprimido pela morte de Rachel Dawes (Maggie Gyllenhaal), o grande amor de sua vida, Bruce Wayne (Christian Bale) acaba se exilando em sua mansão, possuindo contato apenas com o seu mordomo e protetor, Alfred Pennyworth (Michael Caine). Entretanto, quando uma sucessão de acontecimentos, como surgimento da ladra Selina Kyle (Anne Hathaway), a impactante visita do policial John Blake (Joseph Gordon-Lewitt) e o ressurgimento da Liga das Sombras, liderada pelo perigoso Bane (Tom Hardy),a força de espirito de Bruce e a motivação para retornar como homem morcego aos poucos começa a ressurgir.

Mas mal sabe Bruce que o seu aparente ressurgimento, corre o risco de se tornar uma queda ainda mais dolorosa e fatal que a anterior.

Bátema, de onde você tirou essa arma?
O enredo do filme possui elementos retirados diretamente da graphic novel O Cavaleiro das Trevas e do arco das HQs  A Queda do Morcego. Só citando alguns elementos, em relação à graphic novel temos um Bruce Wayne aposentado dos deveres de vigilante e totalmente amargurado com vida. A sua vontade de viver só retorna quando ele percebe que Gotham City precisava novamente do Batman. Já em relação à segunda, temos a presença do vilão Bane, que assim como nas HQs, será responsável por uma grande reviravolta na vida do herói.

A presença do Poço de Lázaro é outro importante elemento dos quadrinhos presente no filme. Nas HQs, o poço era uma espécie de banho químico usado por Ra’s Al Ghul com o objetivo de ressurgir do mundo dos mortos. No longa metragem, ele foi remodelado como uma prisão onde os prisioneiros precisavam fazer com que as suas almas ressurgissem se quisessem escapar do lugar. Logo, apesar de serem essencialmente elementos diferentes, ambos servem, em termos, para mesma finalidade.

Além de fazer essa ponte com os quadrinhos, a trama também não deixa de se relacionar com os filmes anteriores. Em TDKR temos o retorno da Liga das Sombras, presente em Batman Begins, e um aprofundamento no passado do vilão Ra's Al Ghul, responsável pelo treinamento NINDJA de Bruce. E como já descrito logo acima, as mortes de Rachel e de Harvey, ocorridas em O Cavaleiro das Trevas, apresentaram consequências profundas na trama deste terceiro filme.

A grande pisada de bola dos roteiristas foi não existir uma ÚNICA menção sequer ao Coringa (o Bobo, o Palhaço, o Joker). Com a morte de Heath Ledger no ínicio de 2008, o retorno do personagem acabou sendo descartado para a conclusão da saga. Mas isso não significa que ele tenha que ser esquecido. Afinal de contas,  ele foi principal culpado pelos sacrifícios do Batman, PORRA!!!

Tenho mais expressões faciais que a Kristen Stewart!
Partindo para a dramaturgia, mesmo não possuindo um integrante do elenco que roubasse a cena como foi o caso do Ledger, as atuações seguirão a ótima média dos filmes anteriores. Christian Bale (agora oscarizado) mais uma vez deu conta do recado. Mais do que o ressurgimento do Cavaleiro das Trevas, o enredo apresentou os vários estágios em que o “filho favorito de Gotham” precisou trilhar para novamente se reerguer. A interpretação de Bale torna o sofrimento e a superação de Bruce Wayne algo totalmente crível. E claro, quando precisa vestir o manto do morcego, a sua “voz de Bátema” está ali. Sinceramente, falem o que quiser, eu gosto muito do bat-voice que o ator empregou ao herói... Mesmo em certos momentos sendo tão inaudível quanto à voz do Stallone. xD

Sendo um dos atores favoritos de Nolan – visto que esteve em seus últimos projetos – Sir Michael Caine pode não possuir tanto tempo em cena quanto seus companheiros, mas quando está presente, ele arrebenta. Sempre vi o Alfred como a figura paterna substituta de Bruce Wayne. Em TDKR, suas ações e atitudes, por mais pendantes que possam aparentar, são dignas de um pai preocupado com o seu filho. A cena da escadaria, onde há o diálogo com Bale, é a de maior carga dramática do filme.

Fechando o núcleo antigo do elenco, temos o veterano com pouco tempo em tela Morgan Freeman, novamente emprestando o seu carisma a Lucius Fox. Alias, uma das diversas referências ao primeiro filme é feita justamente em seu primeiro diálogo com o Bruce. Se Freeman empresta seu carisma, Gary Oldman empresta a sua competência mesmo sem precisar gritar ao Comissário Gordon. Tendo que sustentar um falso mártir por quase uma década, o honesto policial de Oldman é o retrato de uma pessoa angustiada pelas consequências de uma mentira. Gordon é também o protagonista de uma das cenas mais bonitas do filme.

Tem um bilhete aqui dizendo que o Bátema é viado!
Integrando o elenco neste último filme, temos a gatíssima - com o perdão dos trocadilhos xD -  Anne Hattaway no papel da ladra Selina Kyle. A femme fatale de Hattaway é sexy, dissimulada, cativante e extremamente filha da puta quando precisa. Entretanto, como uma típica anti-heroína, no fundo é uma pessoa de bom coração. Pelos perrengues que faz o Bátema passar, tenho visto muita gente questionando o fato do morcego confiar na gatuna. Sinceramente, acredito que ele não recorreu a ela por uma questão de confiança, mas sim por uma questão de necessidade.

Outro estreante é Joseph Gordon-Lewitt que, após sua atuação em A Origem (Inception, 2010), tornou-se o novo queridinho do diretor Nolan. Gordon-Lewitt interpreta o policial John Blake, um homem íntegro e justo. Órfão, cresceu numa instituição bancada pela Fundação Wayne, e é graças a um problema envolvendo o seu antigo lar que o faz ir atrás de Bruce. Vi várias pessoas rasgando elogios a atuação do cara, mas para mim foi apenas normal, sem comprometer o resultado final. Alias, a capacidade de dedução de seu personagem cria uma das cenas mais controversas do filme.

Herdando a posição de vilão principal, Tom Hardy surge como Bane, o novo líder da Liga das Sombras. Confesso que nunca gostei do personagem, mas tenho que admitir que Hardy mandou muito bem no papel. Sempre que está em cena, Bane é uma presença ameaçadora e intimidadora para qualquer um, inclusive, para o próprio morcego. Méritos para ótima interpretação do ator e para o visual do vilão (sai à máscara de lucha libre, entra a focinheira Hannibal Lecter style) adotado para o longa. Alias, destaque para o diálogo entre o vilão e Bruce Wayne, logo após o primeiro confronto de ambos.

Infelizmente, o grande ponto fraco do elenco fica por conta da oscarizada Marion Cotillard. Alem de mal desenvolvida pela trama, a interpretação da atriz não convence em nenhum momento de suas verdadeiras intenções. Inclusive, a sua última cena no filme é PATÉTICA até para os padrões da Malhação. É realmente uma pena, visto que em Inception ela esteve muito bem.

É um morcego? É um avião? Bem...é as duas coisas!
A  parte técnica de Cavaleiro das Trevas Ressurge, assim como nos longas anteriores, é de tirar o chapéu. O uso dos efeitos práticos – sempre presente nos filmes do cineasta – aliado aos efeitos digitais conferem uma sensação de realidade as cenas. Se em TDK tínhamos a cena do caminhão virando como o grande exemplo de efeitos feito a mão, aqui temos o sequestro organizado por Bane em um avião em pleno ar.

Falando em Bane, uma das questões mais discutidas durante a produção do longa foi a sua voz. Quando os primeiros vídeos foram liberados, ninguém conseguiu entender o que o vilão estava dizendo, uma vez que a sua boca está coberta pela máscara/focinheira. Com isso, a voz do personagem acabou recebendo um tratamento durante a pós-produção. A diferença pode ser conferida no vídeo abaixo:


Ficou parecendo que a máscara possuía o microfone do Silvio Santos embutido, mas o resultado ficou muito bacana. Além de dar imponência ao personagem, eu gostei da maneira como o personagem falava. :D

Apesar de não possuir o mesmo ritmo frenético de sua prequência, o filme conta com várias cenas de ação. Em especial, eu destaco todas as cenas envolvendo o "The Bat", o novo brinquedinho do homem morcego para explodir com a bandidagem, e o primeiro embate entre o Bane e o Batman, que é do caralho!

O ponto do filme que mais me deixou incomodado, entretanto foi à montagem das cenas, em especial as que fazem parte do primeiro ato. Tudo acontece de maneira tão rápida, com transições de cenas que podem deixar o espectador perdido caso ele não preste atenção aos diálogos, que funcionam como o elo entre os quadros.

Mas isso tem uma explicação: o corte original do filme possuía mais de quatro horas de duração. Como a versão para o cinema contou “apenas” com duas horas e quarenta e cinco minutos, cerca de setenta e cinco minutos de cenas acabaram ficando de fora deste corte final. Logo, esse problema no primeiro ato aconteceu pelo fato de muitas cenas terem sido cortadas. Na semana passada, inclusive, saiu uma nota dizendo que a origem do Bane era uma das cenas que ficaram de fora da montagem final.

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge foi a minha primeira experiência em uma sala IMAX. E vos digo que assistir ao final da trilogia em uma tela de altíssima definição de imagem, ouvindo fodaça trilha de Hans Zimmer em um som digital de qualidade foi uma experiência ÉPICA. Se algum de vocês tiver a oportunidade de conferir esse filme em IMAX, não desperdice essa chance. :D

No fim das contas, o saldo deste terceiro e último Batman dirigido por Christopher Nolan é positivo. Caso você faça parte do grupo que se decepcionou com o filme, recomendo que dê um bom tempo antes de revê-lo. Sugiro também que reveja antes Batman Begins e Batman – O Cavaleiro das Trevas. Com a cabeça fria e sem o monstro da expectativa, é bem capaz que a sua experiência seja muito mais proveitosa. ;)

Nota: 8,5



Ficha Técnica

Batman - O Cavaleiro das Trevas Ressurge (The Dark Knight Rises, 2012)
Ação | Aventura | Drama

Direção: Christopher Nolan

Roteiro: Christopher Nolan, Jonathan Nolan e David Goyer.

Elenco: Christian Bale, Gary Oldman, Tom Hardy, Joseph Gordon-Levitt, Anne Hathaway, Marion Cotillard, Morgan Freeman, Michael Caine.


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3 comentários:

Coringa disse...

Mas afinal, que fim teve a tia do bátema?

Marcel disse...

Aquela velha puta deve ter ficado em Arkham dando para o Joker! :D

Julian Francisco disse...

Marcel, mto bom! só tenho uma coisa a acrescentar...
O fato de não terem comentado em nenhum momento do filme o coringa foi proposital, não queriam tocar na ferida q teve a trilogia....

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