12.4.13

[Crítica] The Walking Dead - 3º Temporada


Pois é caros leitores, hoje pela primeira vez irei escrever uma crítica sobre uma série. :D

E para estreiar este espaço no Nerdologia Alternativa, o artigo de hoje será sobre a  7º temporada de  Doctor Who a polêmica  3º temporada de The Walking Dead.

E já aviso logo de cara: se este artigo tiver comentários e várias visualizações, podem me cobrar uma crítica sobre a 3º temporada de Game of Thrones. ;)

Quando a prisão surgiu nos últimos segundos do season finale da 2º temporada, uma grande expectativa se espalhou pela internet. Acontece que nos quadrinhos, o arco envolvendo a prisão é um dos mais emblemáticos da história da revista, seja pelos personagens marcantes que aparecem nesse ponto (Michonne e o Governador), pelos conflitos humanos e pelas drásticas consequências que cada escolha traz.
      
Entretanto, mesmo seguindo uma linha narrativa semelhante a dos quadrinhos, desde a  1º temporada o seriado vem tomando rumos bem distintos da história original, desagradando assim os fãs das HQs. O que pouca gente sabe é que parte dessas mudanças são realizadas pelo próprio autor da história, Robert Kirkman. Sendo um dos produtores do seriado, Kirkman faz essas alterações no enredo para o seriado não seja apenas uma mera repetição dos quadrinhos.

Bem ou mal, acho uma atitude digna por parte do autor.

Enfim, no último dia 31 de Março foi ao ar o último episódio da 3º temporada de The Walking Dead. E depois de dezesseis episódios - oito transmitidos em 2012 e oito em 2013 - qual foi o saldo final desta temporada? Será que a adaptação deste arco conseguiu agradar os fãs do seriado e os fãs dos quadrinhos?

Maggie se assusta com a versão zumbi do Bane.
Na trama desta temporada, vários meses se passarão após Rick Grimes (Andrew Lincoln) e o seu grupo escapar da grande invasão à fazenda de Hershel (Scott Wilson). Com o mundo cada vez mais perigoso e a gravidez de Lori (Sarah Wayne Callies) chegando ao fim, Rick descobre um paraíso potencialmente seguro na figura de uma prisão. Mas primeiro ele precisa garantir a segurança das instalações, e isso levará seu grupo até o seu limite

Não muito distante dali, Andrea (Laurie Holden) e a misteriosa Michonne (Danai Gurira), companheiras desde o incidente na propriedade rural, são introduzidas a uma nova comunidade de sobreviventes, conhecida como Woodbury. Liderada por um homem conhecido como Governador (David Morrissey), o líder se mostra para as duas como uma pessoa hospitaleira e bondosa. O que elas não imaginam é que esse mesmo homem que demonstra ser generoso, esconde segredos bastantes obscuros.

Mesmo sendo uma história ambientada em um apocalipse zumbi, o foco de The Walking Dead - tanto no seriado quanto nos quadrinhos - sempre foi as relações humanas. Com a trama da terceira temporada dividindo o foco do espectador em dois grupos de sobreviventes, um novo leque de possibilidades nessas relações fora aberto.  E mais do que reforçar o lado social, esse novo arco serviu para mostrar que mesmo o planeta estando dominado por mortos sedentos por carne, os vivos continuam sendo os predadores mais perigosos.

Entretanto, da mesma forma como a temporada anterior, o grande problema da temporada foi o ritmo. Os primeiros episódios (exibidos em 2012) são excelentes. Além de tensíssimos, todos possuem o final "tapa-na-cara", também conhecido como aquele final instigante e surpreendente que te faz querer ver o próximo o quanto antes.

Já os episódios da segundo parte...bem...infelizmente é aqui que a coisa muda.

Governador mandando um "lero" na Andrea.
Os capítulos restantes (exibidos em 2013) são beeeem mornos. Os momentos de tensão, presentes na primeira parte, ficaram bem escassos. O ritmo da história dá uma bela puxada no freio de mão, lembrando muito os fatídicos episódios da interminável busca pela pequena Sophia. E para piorar, o season finale da temporada que prometia muito, acabou sendo abaixo das expectativas. Mas particularmente, eu não achei essa merda toda que andam falando por ai.

E já que estamos falando de episódios, eu gostaria de ressaltar alguns que gostei bastante. Apesar de ter gostado de todos episódios da primeira parte, Killer Within (S03E04) foi o melhor episódio da primeira leva, justamente por ser o mais drámatico e mais impactante da temporada. E mesmo a segunda parte sendo bem irregular, ainda há bons episódios como Clear (S03E12) e This Sorrowful Life (S03E15). Enquanto no primeiro temos uma encontro inesperado no episódio mais dramático da segunda leva, o segundo aborda a redenção de um relevante personagem. This Sorrowful Life inclusive daria um season finale muito melhor do que Welcome to the Tombs (S03E16).

Pode parecer uma "mera coincidência", mas logo após o último capitulo da primeira parte ter ido ao ar, a AMC anunciou o desligamento do showrunner Glen Mazzara. Segundo boatos, Robert Kirkman teria discordado da "visão artística" de Mazzara e, como Kirkman é o criador da obra, sobrou para o cara. Essa não é a primeira vez que o seriado teve que trocar de showrunner. Frank Darabont, um dos principais responsáveis pela história chegar a TV, foi substituído por Glen Mazzara antes do inicio da segunda temporada devido a um conflito de opiniões com os chefões do canal.

E quando eu falei sobre concidência, tanto na saída de Darabont quanto na de Mazzara, houve uma notável queda na qualidade dos episódios.

"Xiiiu...estou caçando toelhos!"
Normalmente em minhas crítica, sempre que estou escrevendo sobre um trabalho que exige atuação, tento dedicar um paragrafo para analisar o desempenho de ator/personagem. Mas como estamos falando de um seriado composto por uma caralhada de personagens e como estou com uma preguiça desgraçada de fazer uma tese sobre cada um, irei apenas comentar a evolução de cada um nessa temporada. Tentarei ser o mais sucinto possível, eu prometo! =x

Um dos elementos mais bacanas dessa temporada foi acompanhar o parelelo feito entre os dois líderes, Rick e o Governador. Ambos tomaram para si a responsabilidade de proteger seus grupos, cada um com seus métodos. Com o decorrer dos episódios, tanto Rick quanto o Governador sofrerão um duríssimo golpe do destino, deixando ambos emocionalmente abalados. E a maneira como cada um irá se reerguer dessa queda, determinará o destino das pessoas que eles protegem. Isso foi algo muito bem feito em roteiro e principalmente na interpretação dos atores. Alias, David Morrisey é a grande estrela da segunda fase. O crescimento de seu personagem e de sua atuação é uma das melhores coisas que ocorreram nesta etapa.

Já o Daryl Dixon de Norman Reedus definitivamente garantiu o posto de personagem mais querido do público, tanto que seu personagem até estrelou o jogo The Walking Dead - Survival Instict, que infelizmente é uma merda gigante. Além de se firmar como um dos homens de confiança de Rick, Daryl ganhou uma profundidade a mais com o reaparecimento de seu irmão Merle (Michael Rooker). E mesmo demonstrando ser um tremendo filho de uma rampeira sem vergonha na primeira parte do arco, Merle até conquistou a simpatia de muitos pois, apesar de ter feito muito serviço sujo, tudo o que ele mais desejava era estar ao lado do seu irmão mais novo. E ainda falando do núcleo Dixon, após os acontecimentos da temporada passada, parece que existe um sentimento surgindo entre Daryl e a Carol (Melissa McBride). A personagem inclusive teve uma grande evolução nessa fase, mas nada disso importa já que ela sempre será lembrada pelo momento mais engraçado da série.

Outro que evoluiu muito na temporada foi o pequeno Carl. Desde o fatídico "no more child stuffs", o garoto deixou de ser a criança chorona e merdeira para ser um garoto forte e valente, chegando a salvar a pele de Rick e de outros sobreviventes. No entanto, as duras decisões que Carl teve que tomar durante a temporada terão uma grande influência na continuação da série. E falando em personagens influentes na trama, o velho Hershel Greene tornou-se, ao lado de Daryl, um dos membros de confiança de Rick. Sendo a voz da sabedoria, o ex-veterinário mostrou-se mais uma vez um homem muito forte frente a toda desgraça que assolou o mundo. Além do mais, ele acabou se transformando em um dos poucos amigos que restaram ao ex-policial.

"Desculpe Sr. Zumbi, mas eu já sou casado!"
Sendo uma das personagens favoritas da galera que curte os quadrinhos, Michonne finalmente fez a sua estréia nessa temporada. Acredito que a personagem ainda não mostrou o porquê de ser tão querida na história original, mas ao menos, já mostrou um grande potencial, tanto na porradaria contra os zumbis quanto na maneira de se relacionar com os humanos daquela realidade caótica. E se Carl deixou o time dos personagens malas que só fazem merda, Andrea vestiu a camisa desse grupo com orgulho. Tá, as intenções dela sempre foram as melhores possíveis...mas vá ser burra lá casa do caralho!!

Como ainda restam muitos personagens e muitos já devem estar largando mão de continuar a ler essa bagaça, eis um resumo rápido: T-Dog (IronE Singleton) deixou de ser o merdeiro do grupo; enquanto não enfiavam a porrada em zumbis, Glen (Steven Yeun) e Maggie (Lauren Cohan) estiveram constantemente discutindo a relação; a piranha da Lori continuou sendo uma chata; Tyresse (Chad L. Coleman) e Sasha (Sonequa Martin-Green) não tiveram muito espaço na trama, mas mostraram ter um grande senso de justiça; o cover do Billy dos Power Rangers Dr. Milton (Dallas Roberts) provou ser um grande pamonha; Martinez (Jose Pablo Cantillo) provou ser um grande "leão de chacará latino"; e Beth...bem...vocês sabiam que a Emily Kinney tem 28 anos?!!

Pois é, caros leitores, se pensarmos que em um certo momento da história ela ficou manjando um garotinho de 13 anos, em um apocalipse de mortos-vivos isso seria pedofilia? xD

Indo para os aspectos técnicos, algo que tenho que reconhecer é a qualidade da maquiagem dos walkers. Desde o inicio do seriado, os responsáveis pela criação dos mortos tem um feito um trabalho excelente. As maquiagens são tão críveis que por alguns momentos você até esquece que ali são pessoas representando. E se você acha que estou exagerando, confira os making-offs. Ver os atores batendo um papo ou tirando fotos com o "elenco zumbificado" é um tanto quanto estranho/engraçado.

Falando em maquiagem, é através de um esforço conjunto entre os maquiadores e os especialistas em efeitos visuais que as cenas de violência são realizadas. Mesmo não havendo nada do nível do walker balofo no poço, a união de forças renderão boas e até criativas cenas de violência (alguém aqui lembra da Michonne matando uma zumbi com uma corda). A única crítica aos efeitos visuais que tenho é quando eles precisam explodir algo. Há uma cena de explosão que só não é mais horrorosa quanto a do CDC explodindo na temporada 1.

 Daryl em seu momento "Homem Sem Nome". 
Como já era de se esperar, a trama da série novamente seguiu rumos totalmente distintos da história original. Além de ser uma vontade do próprio Kirkman, há também uma questão de adaptação de mídias. Fazer um quadrinho autoral para uma editora de médio porte como a Image é bem diferente do que produzir um seriado para uma grande emissora de TV como a AMC. O alcance de público que uma emissora possui é muito maior do que uma editora de quadrinhos. E mesmo sendo um canal com séries como Breaking Bad e Mad Man, o canal precisa que um produto que atinja o máximo possível de público para pagar os custos. E como o custo de um episódio de The Walking Dead não deve ser barato, é necessário adaptar o material que será exibido ao  público a fim de não correr riscos. Logo, aquele momento hardcore da história original acaba ficando entre hard e medium no seriado.

Portanto, respondendo a pergunta do ínicio do artigo, eu acredito é bem provável que a série não agrade aos fãs do quadrinho justamente elas adaptações necessárias na trama. De certa forma, isso enfraquece a trama da série, mas não significa isso a torne algo dispensável. Além de permitir que outras pessoas possam conhecer TWD, ela irá estimular os fãs a consumirem produtos da franquia, como a própria HQ. E como o Kirkman é um produto com um controle fortíssimo sobre sua obra, ele pode usar o seriado para desenvolver idéias que ele não levou adiante nos quadrinhos, como por exemplo, não matar aquele seu personagem favorito.

Enfim, apesar do ritmo morno e e um episódio final decepcionante, o saldo ainda é positivo. Com records de audiência e com a quarta temporada confirmada desde dezembro, vamos esperar que a próxima leva de episódios aprenda com os erros passados. Afinal de contas, se não é para fazer uma cópia dos quadrinhos, ao menos faça algo descente.

Nota: 8.

PS: o cargo de showrunner agora é ocupado por Scott Gimple.

PS2: e se você ficou realmente nervoso com o rumo do season finale, olha só o que o Robert Kirkman tem a dizer.

Ficha Técnica

The Walking Dead - 3º Temporada (2012 - 2013)
Thriller | Drama | Terror

Direção: Gregory Nicotero, Ernest R. Dickerson, David Boyd, Guy Ferland e Bill Gierhart.

Roteiro: Frank Darabont, Robert Kirkman, Tony Moore, Charlie Adlard e Glen Mazzara.

Elenco: Andrew Lincoln, Sarah Wayne Callies, Scott Wilson, David Morrissey, Norman Reedus, Lauren Cohan, Danai Gurira, Chandler Riggs, Steven Yeun, Laurie Holden, Melissa McBride, IronE Singleton, Emily Kinney, Michael Rooker, Chad L. Coleman, Dallas Roberts, Jose Pablo Cantillo, Sonequa Martin-Green, Lew Temple e Vincent M. Ward.



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