21.6.14

[Crítica] Godzilla (2014)


Após uma tentativa frustrada de "destruir" os domínios hollywoodianos em 1998, Godzilla, o Rei dos Monstros, está de volta a uma super produção norte americana. Com um Gojira visualmente mais próximo do original, a ausência do merda do de Roland Emmerich na direção e a presença de Bryan Cranston no elenco, será que dessa vez Hollywood faria jus ao monstro mais famoso do cinema?

Nesta crítica em especial, passarei a adotar uma outra forma de análise para os artigos dessa seção, onde farei uso inclusive de SPOILERS para validar certos pontos da obra em questão. Caso vocês gostem ou não do que vou lhes apresentar, peço que deixem o seu feedback através dos comentários desta postagem. :)

Inicialmente concebido por Ishiro Honda como a materialização do horror atômico japonês, em mais de sessenta anos de existência, Godzilla (ou Gojira no original) já passou por várias encarnações diferentes nos cinemas. Ora agindo como agente da destruição, ora agindo como salvador do nosso planetinha, o Rei dos Monstros é o kaiju (monstro colossal, em japonês) mais famoso da cultura pop, sendo praticamente reconhecido em qualquer parte do mundo.

Entretanto, mesmo sendo um dos grandes ícones do cinema japonês e do subgênero monstros gigantes, quando finalmente ganhou a chance de estrelar sua própria versão hollywoodiana, o resultado final mas parecia uma cópia cagada mal feita de Jurassic Park do que um exemplar da franquia da Toho Company.

Eis que dezesseis anos depois, Warner Bros e Toho se unem em mais uma tentativa de adaptar Godzilla para o cinema ocidental. Contando dessa vez com um elenco liderado por Bryan Cranston, recém saído de Breaking Bad, dirigido por Gareth Edwards, que tem no currículo um longa metragem com monstros gigantes chamado Monstros (Monsters, 2010), e com um hype absurdo causado pelos trailers (veja alguns deles no fim da postagem), a esperança de ver um grande filme de Godzilla nos EUA era enorme.

Joe e Ford explorando um dos cenários de The Last of Us.
Na trama desta adaptação, em pleno dia de seu aniversário, Joe Brody (Bryan Cranston) fica viúvo após um inexplicável acidente na usina nuclear japonesa onde ele e sua esposa trabalhavam. Não aceitando a morte da amada, Joe passa a dedicar todos seus esforços a duas tarefas, cuidar de seu filho Ford e descobrir o que realmente aconteceu naquele fatídico dia.

Quinze anos após o acidente, Ford (Aaron Taylor-Johnson) é soldado do exercito americano, casado com a enfermeira Elle (Elizabeth sou irmã mais nova das gêmeas Olsen) e pai do pequeno Sam (Carson Bolde). Estando anos afastado de seu pai, que se isolou no Japão em sua jornada particular, Ford recebe um telefonema que obriga o jovem viajar para a terra do Sol Nascente para ajudar seu pai, que havia sido preso por invadir o bairro localizado nas proximidades da usina, agora uma zona de acesso proibido.

Mesmo com os esforços de Ford em traze-lo de volta para América, Joe convence seu filho a invadir a zona proibida uma última vez, atrás de disquetes com registros em sua antiga casa que poderiam ajudar a descobrir a verdade sobre o desastre. Na zona proibida, ambos acabam sendo presos por uma equipe de segurança e conduzidos até uma área de pesquisa, localizada na antiga usina nuclear. De volta ao local do desastre, Joe e Ford descobrem que uma gigantesca criatura, agora em estado de preservação, havia sido a grande responsável pelo acidente de quinze anos atrás.

Entretanto, no mesmo momento da chegada dos Brody's a base de pesquisa, a criatura desperta de seu sono e inicia um ciclo de caos e destruição a qualquer um que fique em seu caminho. E para piorar, o despertar do monstro acaba também despertando o seu predador, uma gigantesca criatura adormecida no fundo do Oceano Pacifico.

Ken Watanabe,  premiado ator japonês contratado especialmente para dizer "Gojira".
Como vocês devem ter notado, pela quantidade de texto que dediquei para o enredo, a referência aos monstros só apareceram no último paragrafo. Acontece que foco da trama escrita pela dupla Max Borenstein e Dave Callaham são as ações e reações humanas - em especial dos Brody - frente a destruição causada por seres colossais. Logo, os monstros acabam sendo apenas um pano de fundo para os humanos da história.

Essa decisão sobre o foco do roteiro é algo bem questionável, mas justiça seja feita, em nenhum momento o texto de Borenstein e Callaham cai na galhofa ou nas soluções idiotas de roteiro, como aconteceu na adaptação de 1998. Os desastres causado pelos monstros e as reações populares são tratadas com tanta seriedade que acabam sendo bem críveis. É bacana ver como o assunto pode - assim como no original de 1954 - ser tratado de forma séria.

Se a aceitação para quem desejava um filme divertido de monstros já era difícil, a situação piora quando o a produção se auto sabota em dois momentos chaves. A primeira auto sabotagem acontece aos vinte minutos do filme com a morte do personagem de Bryan Cranston durante a fuga do M.U.T.O (Massive Unidentified Terrestrial Organism) da base de pesquisa. Considerando que Cranston estava roubando a cena, a sua saída de cena foi um tremendo tiro de escopeta no saco pé.

E para piorar, Aaron Taylor-Johnson e sua cara de poster não possui um centésimo de talento do pai do Malcolm para segurar o filme sozinho. Com isso, as melhores cenas dramáticas acabam sendo protagonizadas pelas pouquíssimas inserções do Ra's al Gul de mentirinha de Ken Watanabe no filme.

Aproveite pois, assim como no filme, Godzilla irá aparecer pouco por aqui.
A segunda sabotagem feita pelo filme acontece quando Godzilla finalmente resolve fazer a sua primeira aparição no filme, com quase quarenta minutos de filme. Toda a preparação para a sua aparição que culmina com o Rei dos Monstros se encontrando com o M.U.T.O em uma cidade do Havaí é extremamente empolgante FODA PRA CARALHO.

Sim, Godzilla demorou para aparecer, mas a maneira que foi construída tinha tudo para ser épica...se a cena não cortasse para a casa da família de Ford justamente no momento em que o pau ia comer. E pior, o desenrolar da luta é mostrado em uma TV ao fundo enquanto a mulher de Ford conversa com seu filho. Quando a cena corta novamente para o Havaí, nos é apresentado o resultado da luta no outro dia. (¬¬)

Na moral galera, eu entendo que a intenção da Warner Bros e do diretor Gareth Edwards era não repetir a piada de mal gosto da década de 90. E até aplaudo a equipe de produção por apostar em uma linha mais séria para conduzir sua história. Entretanto, matar o melhor ator do elenco logo de cara e fazer o expectador esperar quase uma hora para presenciar uma grande cena de Godzilla sendo cortada é no mínimo frustante.

Falando em Godzilla, uma das impressões que tive ao terminar o filme era que a equipe de produção estava temerosa em mostrar o monstro. Além de aparecer pouquíssimo em seu próprio filme, quando surge em tela, o Rei dos Monstros ora é visto através da perspectiva de uma outra pessoa - geralmente em movimento ou dentro de algum ambiente - ora tem suas cenas rapidamente cortadas para os humanos que estão compartilhando território.

Ok, "esconder o monstro" é uma das regras mais clássicas do cinema...mas puta que pariu, aqui o pessoal exagerou na dose.

Nem o elenco de Battleship foi capaz de parar o Rei dos Monstros.
Deixando as mancadas de lado, o longa metragem também apresenta muita coisa boa. Se o grande protagonista tem poucos minutos de tela, ao menos o mesmo não aconteceu com os dois M.U.T.Os (sim, eu falei que ia soltar SPOILERS). Criados especialmente para a adaptação, as duas criaturas são as principais responsáveis por causar o pânico e destruição entre os humanos. Mesmo sendo da mesma espécie, o fato de serem de sexos opostos lhes conferem características e habilidades únicas. E se temos um macho e uma fêmea, nem preciso dizer qual é o maior perigo para a raça humana. :D

Uma característica muito importante dos filmes originais que aqui foi preservada é a inutilidade das armas humanas contras os monstros. Se na versão do Matthew Broderick Ferris Bueller vimos Godzilla ser abatido por SEIS MISSEIS, os mesmos não fazem nem cócegas nas criaturas desta nova versão. E sério caros leitores, não é todos os dias que assistimos um blockbuster norte americano onde os militares não tem o que fazer. Inclusive, a frase celebre dita pelo personagem de Ken Watanabe é um perfeito reflexo disso.

Mas sem sombra de dúvidas, o maior destaque do filme é o próprio Godzilla. Com um visual mais fiel ao conceito original, o Rei dos Monstros causa imponência e empolgação em todas as cenas que aparece. E apesar dos chatíssimos cortes de cena, o embate entre o grandalhão e os M.U.T.Os é muito maneiro. Inclusive, a nova versão do monstro não é fiel apenas em aparência, mas também em relação as suas habilidades de destruição/combate.

Sim amigos, este Godzilla possui BAFORADA ATÔMICA. \o/

"Onde estão os Jaegers quando precisamos?"
Em relação aos efeitos visuais, o desenvolvimento dos efeitos foi realizado através de uma parceria entre várias estúdios de efeitos visuais, com destaque para a Weta Digital e a MPC (Moving Picture Company). Como consequência desse esforço conjunto, a qualidade visual do filme é excelente em todos os aspectos. Inclusive, só pelo fato de existir tomadas dos monstros durante vários períodos diários e situações meteorológicas já apresenta o cuidado dos especialistas.

Falando em efeitos visuais, os efeitos sonoros também são excelente. Os urros dos M.U.T.Os lembram muito a sonosplatia dos filmes de monstros produzidos pela Toho enquanto o berro de Godzilla, mesmo sendo uma adaptação do clássico, chama bastante a atenção. A trilha sonora composta pelo francês Alexandre Desplat também merece ser destacada. Mesmo sem utilizar uma nota sequer da trilha clássica de Akira Ifukube, a trilha de Desplat casa perfeitamente com o clima do longa.

Enfim, mesmo com algumas decisões equivocadas o novo Godzilla é um grande passo para o estabelecimento de uma nova série de filmes do lagartão radioativo. Infinitamente superior ao patético longa metragem de 98, esta versão não só apresentou novos inimigos para a galeria da franquia como também apresentou uma nova e imponente versão do Rei dos Monstros. Contudo, seria um longa muito melhor se lagartão tivesse aparecido mais.

Nota: 6,25.


PS: Com 108,2 m de altura e 167,7 m de comprimento de calda, esta é a maior versão de Godzilla já feita nos cinemas. Para efeitos de comparação, os Jaegers de Círculo de Fogo (Pacific Rim, 2013) mediam 80 m de altura.

Ficha Técnica

Godzilla (2014)
Ação | Sci-Fi | Thriller

Diretor: Gareth Edwards.

Roteristas: Max Borenstein e Dave Callaham.


Elenco: Bryan Cranston, Ken Watanabe, Sally Hawkins, Aaron Taylor-Johnson, Elizabeth Olsen, CJ Adams, Juliette Binoche, Carson Bolde.





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6 comentários:

Erick Peres disse...

Realmente poderia ter sido melhor, mas enfim talvez eles consigam acertar no próximo (o que eu acho quase impossível kkk). A não ser que seja como O Teorema do macaco infinito onde um macaco digitando aleatoriamente em um teclado por um intervalo de tempo infinito irá certamente criar um texto qualquer escolhido, como por exemplo a obra completa de William Shakespeare. Ainda assim mesmo com um intervalo de tempo infinito, nós no fundo sabemos que isso é improvável, ou seja, nem com toda a eternidade eles vão conseguir fazer jús ao titulo do rei dos Monstros!

Marcel disse...

Interessante, eu realmente não conhecia esse teorema, não! :D
Gostei hehehe.

Olha, eu tenho muitas esperanças quanto ao próximo filme. Se a Warner ouvir as criticas (como o fato de Godzilla aparecer POUQUISSIMO em seu próprio filme :P), a chance deles acertarem a mão no segundo é grande.

Erick Peres disse...

Pois é, esse teorema é pouco conhecido, fico feliz que tenha gostado!(Esse teorema foi desenvolvido pelo biólogo evolucionista T. H. Huxley) Bom, não custa ser otimista as vezes né, vamos esperar que eles se importem com a opinião dos fãs, e corrijam essas falhas para posteriormente apresentar um filme com mais qualidade, e com um conteúdo mais elaborado! Enfim criticar é fácil né, mas se for para fazer um filme só por fazer é melhor não fazer nada, pois Godzilla tem uma reputação a zelar rs!

Marcel disse...

O que me deixa otimista é que não foi apenas os fãs que reclamaram da pouca presença de Godzilla em seu próprio filme, mas as principais críticas também. Logo, não é possível que isso não seja revisto na continuação, até porque um blockbuster é, antes de mais nada, um produto a ser vendido. :)

Guga Oliveira disse...

O godzilla tinha que aparecer mais com certeza. E outra, no filme todo falaram que ele era o predador Jurassico, pre-historico, Fodão, etc. então ele se alimentaria dos Bichões que apareciam, ou seja, era pra ele devorar os bichos né? o que será que ele come algas? Mas, acho que isso ia ficar muito pesado pro povo assistir, sei lá. Enfim era pra aparecer mais mesmo

Marcel disse...

Acredito que na continuação isso seja bem diferente. Como eles estão interessados em colocar alguns monstros clássicos da franquia original, creio que pode vir coisa boa no futuro. :D

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