Publicado em: 16/01/2010
Atualizado em: 25/10/2017

Pois é caros leitores, o artigo de hoje é uma atualização do artigo sobre Mortal Kombat: A Conquista, meu primeiro texto da coluna Tirou do Baú. Como esse é um dos artigos mais lidos dessa seção, resolvi que era o momento de dar uma revisada no texto afim de melhorar a sua qualidade.

Se você já tinha lido este texto antes da atualização, recomendo que leia novamente. ;)


Ficha Técnica

Mortal Kombat: A Conquista (Mortal Kombat: Conquest, 1998 - 1999)
Ação | Aventura | Fantasia

Produção: Threshold Entertainment e New Line Television.
Temporadas: 1.
Episódios: 22.
Exibição original: TNT.
Exibição nacional: Wanner Channel e SBT.


Durante a década de 90, a franquia Mortal Kombat fez a cabeça dos gamers - e a infelicidade da Liga das Senhoras Conservadoras dos Bons Costumes - por conta da brutalidade e da sanguinolência presentes em seus combates. De olho na popularidade da marca, a New Line Cinema (responsável pela trilogia Senhor dos Anéis) produziu para o cinema dois longa metragens baseados na série: o bacana Mortal Kombat (1995) e o lixo radioativo Mortal Kombat: A Aniquilação (Mortal Kombat: Annihilation, 1997).

Além dos cinemas, outra mídia "abraçada" pela franquia foi a TV. Em 1996, o canal USA Network exibiu a animação Mortal Kombat: Defenders of the Realm, que por aqui foi exibida como um mero tapa buraco na programação da Record. O desenho animado teve apenas uma única temporada com 13 episódios e, do pouco que assisti, conseguia ser PIOR que o desenho americano do Street Fighter.

Com o fracasso da série animada, Mortal Kombat só voltaria as TVs dois anos depois, só que dessa vez em uma série em Live Action. Só que ao contrário dos filmes e da animação, Mortal Kombat: A Conquista (Mortal Kombat: Conquest, 1998 - 1999) optou em seguir uma linha diferente de história, se passando muito tempo ANTES dos eventos vivenciados por Liu Kang e cia.

Kung Lao, o Guerreiro Lendário...ou não

Kung Lao, o maior lutador já visto na face da Terra....depois de Liu Kang, Johnny Cage, Nightwolf....
Em uma geração anterior a de Liu Kang e seus amigos, afim de evitar a dominação da Terra pelas forças de Shao Kahn (Jeffrey Meek), o monge Kung Lao (Paolo Montalban que não, não é parente do Ricardo "KHAN" Montalban) enfrenta Shang Tsung (Bruce Locke) no duelo decisivo do Mortal Kombat. Como toda a luta de bem contra o mal que se preze, Shang Tsung inicialmente enfia a porrada em Kung Lao, nocauteando aparentemente o monge. Quando estava para aplicar um "Finish Him!" ordenado por Shao Kahn, Lao tem uma visão de Gen (Jennifer Renton), a sua namorada gostosa e semi-nua. Depois de umas palavras de motivação, o monge retorna ao páreo e vence o feiticeiro do MAL.

A derrota Shang Tsung acaba deixando Shao Kahn muito furioso. Além de perder a oportunidade de dominar o nosso planetinha, o Imperador de Outworld ainda viu Kung Lao contrariando o seu "Finish Him!" ao poupar a vida de seu lacaio. Decidido a ferrar foder com a vida do monge, Kahn ordena seus seguidores a destruição de Kung Lao e de qualquer pessoa relacionada a ele. A primeira vítima acaba sendo a namorada semi-nua do monge, morta por Scorpion (Chris Casamassa).

Durante sua jornada pela sobrevivência, o vencedor do Mortal Kombat contará com a "ajuda" do Deus do Trovão Raiden (Jeffrey Meek novamente, mostrando a preocupação da produção em economizar com elenco) e de seus novos companheiros: o ex-soldado bucha Siro (Daniel Bernhardt) e a ladra gostosa Taja (Kristanna Loken).

Ao longo da história, vários personagens dos jogos farão participações especiais, como Sub-Zero, Kitana, Mileena, Rain, Reiko, Noob Saibot, Reptile e Quan Chi.


Mortal Kombat: Conquest - Menos Sangue, Mais Gostosas

O bucha, a gostosa e o inexpressivo.
Assim como os dois filmes e o desenho animado para TV, Mortal Kombat: Conquest não possuía sangue jorrando aos litros e muito menos a violência galhofa que fez a franquia conhecida no mundo dos videogames. Voltado para o público adolescente, o programa era nada mais que um enlatado de artes marciais com os personagens dos jogos...e um monte de mulheres gostosas desfilando frente as câmeras.

Para se ter ideia, o elenco feminino parecia ter saído diretamente da Mansão da Playboy. Os episódios não chegavam a mostrar cenas de sexo ou nudez frontal, mas sempre rolava aquela coadjuvante com uma roupinha colada ou vestindo trajes mínimos. Acredito que a sensualidade foi uma forma dos produtores de compensar a falta de violência. E bem...na época em que assisti  - tinha 13 anos - não via problema algum nisso hehehe.

Certamente irei apanhar E MUITO de minha digníssima após esse comentário.

Os responsáveis pela série até conseguiram criar uma explicação para que a quantidade de beldades no elenco. Grande parte das personagens femininas pertencia a um clã lendário de Outworld conhecido como Kreeyan que são lindas guerreiras amazonas que nascem em...colmeias (o_O). A principal representante da raça era a princesa Vorpax (Tracy Douglas), que ao longa da trama terá um affair com Shang Tsung. Além das Kreeyans, ainda existiam as guerreiras comandadas por Quan Chi (Adoni Maropis), que usam de sua beleza e a pouquíssima roupa para destruir seus adversários e os corações dos espectadores.

.A aldeia das Kreeyans, o lugar com mais mulher lindas por m² de Outworld.
Sendo uma série baseada em um jogo de luta, é óbvio que não podia faltar porradaria. Todos os episódios sem nenhuma exceção apresentavam combates. Tanto que nas chamadas de intervalo de MKC sempre era mostrado um clipe com os "melhores momentos" das lutas realizadas até o momento. Em relação a artes marciais, o programa contava com representantes especialistas em Kung Fu, Wu shu, Karate, Judo, Take Kwon Do, Capoeira, Ninjitsu, Aikido e até mesmo Jeet Kune Do, o estilo criado pela lenda Bruce Lee antes de ser morto por Chuck Norris

Os episódios geralmente se intercalam em três momentos bem específicos: o momento em que Raiden aparece para dar o sermão (e depois sumir sem dar respostas, como manda a "Cartilha Mestre dos Magos"), o momento em que as gostosas aparecem em tela e o momento da pancadaria. Falando em porrada, mesmo contando com profissionais em diversas artes marciais, a série contou com pouquíssimos combates memoráveis. O único combate que na época eu realmente havia gostado foi o clássico duelo entre Scorpion e Sub-Zero.

É óbvio que não dá para comparar o duelo dos ninjas em MKC com o realizado em Mortal Kombat Legacy. Por mais que o Legacy possua aspectos técnicos muito superiores aos de Conquest, dentro das limitações de produção, o combate entre os personagens foi o mais marcante de toda a série. Acredito que se série contasse com coreografias melhores e mais críveis (revendo algumas lutas no youtube, havia momentos em que era possível ver que o golpe NÃO acertava o oponente O__O), talvez os combates pudessem ser mais empolgantes.

"Fala galera, aqui é o Scorpion e hoje ensinarei vocês a como pegar uma mina do nível daquela ali."
Apesar do foco da trama ser o grupo de Kung Lao, os momentos mais interessantes aconteciam quando havia a participação de um personagem dos jogos no episódio. E não digo isso só pelo fato de sempre esperar a participação de um rosto conhecido, mas pelo fato dessas participações serem muito mais interessantes que os próprios heróis. Mesmo sendo um personagem dos jogos, o Kung Lao do seriado não passava confiança EM NENHUM momento que poderia dar conta dos inimigos que enfrentava.

E se o protagonista não passa segurança, o caso de seus companheiros era pior. O Siro passou a série inteira apanhando feito um condenado. Se fôssemos fazer uma lista dos personagens da cultura pop que mais apanham, ele estaria ao lado de Rocky Balboa e do Seiya de Pegaso. Só que ao contrário dos dois, ele só apanha e não reage no final. Já em relação a Taja, bem...ao menos os seus momentos de sensualidade compensavam.

Eu realmente irei apanhar da patroa por isso!

Como desempenhava um papel que não o permitia agir diretamente, Raiden aparecia apenas para tagarelar com os heróis nos momentos chave do episódio. O único momento em que o Deus do Trovão caiu na porrada foi no último episódio da série, quando encarou Shao Khan no mano a mano. Falando em vilões, com exceção de Shang Tsung (que fazia as vezes de vilão looser da história), todos eram figuras bastante interessantes, até porque a maioria dos personagens presentes nos jogos estavam nessa ala. Como destaque, cito o próprio Imperador Shao Kahn. Impiedoso, KHAANN não perdoa seus inimigos e muito menos aqueles que falham no cumprimento de uma ordem. As punições favoritas do vilão são a morte ou uma temporada eterna na prisão "mineradora-de-cobalto-do-mal" (onde Shang Tsung passou suas férias).

Outros personagens que fizeram participações muito bacanas no seriado foram Quan Chi, Scorpion e Sub-Zero. Enquanto o primeiro era um dos generais de Shao Kahn com um estilo de luta muito maneiro ao menos em minha memória, Scorpion e Sub-Zero roubavam a cena sempre que participavam do episódio.

Visual de Shao Kahn em MKC, muito mais respeitável do que isso.
Em relação ao visual dos personagens, alguns deles estiveram bem diferentes dos tradicionais. Kung Lao, por exemplo, usou um robe branco durante todo o seriado, com exceção no momento em que participou do MK, onde fez uso de um traje parecido com o original. Shang Tsung é outro a usar trajes diferente dos que utiliza nos jogos, adotando um visual semelhante ao de Cary-Hiroyuki Tagawa, que interpretou o personagem no primeiro filme. Outro que si inspirou no visual dos filmes foi o Raiden da série, que praticamente faz um cosplay do personagem de Christopher Lambert. Shao Kahn é outro que possui um visual totalmente diferente do original, mais ao menos, é um visual muito mais respeitável que a versão "orelhas de cachorro" do segundo filme.

Os cenários da série variavam bastante, ora sendo ambientes externos ora sendo em estúdios. A qualidade dos cenários em estúdios era outro ponto que variava muito, ora parecendo cenários retirados de um episódio de Xena ora parecendo cenários de um episódio do Chapolin Colorado. O cenário da luta em Scorpion e Sub-Zero, por exemplo, parece ter vindo dos estúdios da Televisa.

Mortal Kombat: A Conquista teve apenas vinte dois episódios produzidos de 40 minutos cada, fechando a história em uma única temporada. Graças ao cancelamento precoce, a série teve seu final no vigésimo segundo episódio, encerrando a história de uma forma surpreendente...ao menos na época.

O que acontece no final?

Isso vocês precisarão descobrir sozinhos. ;)

Algumas Curiosidades
  • O SBT chegou a exibir no Cinema em Casa o filme da série de TV, onde na verdade era apenas os primeiros episódios editados para parecer um longa metragem. O canal do tio Silvio já chegou a fazer coisa parecida quando apresentou pela primeira vez o seriado Os Jovens Guerreiros Tatuados de Bervely Hills.
  • No elenco principal, o ator mais bem sucedido após o termino do seriado foi Kristanna Loken. Nos cinemas, o papel da vida de Kristanna foi como a exterminadora T-X em Exterminador do Futuro 3: A Rebelião das Máquinas (Terminator 3: Rise of the Machines, 2003). Apesar de não ser grandes coisa, o papel de exterminadora é muito mais relevante do que o de protagonista em BloodRayne (BloodRayne, 2005), dirigido pelo inacreditável e surrador de críticos Uwe Boll.
  • Daniel Bernhardt substituiu Jean Claude Van Damme como protagonista da franquia O Grande Dragão Branco. Bernhardt protagonizou nada menos do que TRÊS continuações que em nada possuem de comum com o original. Outro papel de destaque do ator foi como o agente Whatever Johnson em Matrix Reloaded (The Matrix Reloaded, 2003).
  • Em inicio de carreira, a atriz Eva Mendes fez uma participação no décimo primeiro episódio, onde interpretava Hanna, uma ex-peguete do Siro.
  • Mortal Kombat - A Conquista foi a segunda vez que o ator e dublê Chris Casamassa interpretou Scorpion. A primeira aconteceu em 1995, no primeiro longa metragem da franquia.
  • Já o artista marcial J. J. Perry, que interpreta o Sub-Zero na série, participou do segundo e merdorrento filme da franquia, onde fazia dois personagens: Cyrax e Scorpion.

Aberturas e Episódios



Abertura do Seriado

(Por enquanto não há episódios upados na web. Quando encontrar algum, eu volto a colocar aqui.)


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Enfim, este foi mais artigo da seção Tirou do Baú.

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