Publicado em: 24/04/2010
Atualizado em: 24/02/2018

Continuando a minha saga particular em atualizar/melhorar meus textos mais mal escritos antigos do Nerdologia Alternativa, hoje trago um dos NerdTops com o maior número de comentários e também de polêmicas.

Tratando novamente sobre animação japonesa (tema recorrente por aqui), no artigo a seguir iremos conhecer 5 razões para DBGT ser uma BOSTA.

Mas antes de jogarem as suas pedras, por favor leiam aos tópicos a seguir.


5. A Falta de Episódios Empolgantes

Goku, Pan e Trunks chegam ao Planeta das Seres Sem Colírio. (essa foi a pior piada de legendas que já fiz)
Mesmo possuindo apenas 64 episódios - o que é muito pouco comparado aos 153 de Dragon Ball e os 291 de Dragon Ball Z - Dragon Ball GT foi uma animação difícil de assistir. Mas quando digo difícil, meus caros leitores, não estou me referindo aos horários de exibição e muito menos a "complexidade" da trama. O anime foi complicado de acompanhar devido ao grande número de episódios TOSCOS por frames².

Os 20 primeiros episódios que envolvem a viagem espacial são CHATOS DEMAIS. Não há grandes batalhas, não há momentos memoráveis, não há NADA. E para piorar, mesmo com o surgimento do grande vilão do arco (Baby), as coisas só começam a melhorar quando Goku transforma-se em Super Sayajin 4.

E detalhe, isso só acontece no episódio 35!!!

Com o final da primeira saga, o anime até dá sinais de que as coisas começarão a engrenar. E de fato, os episódios seguintes não retornam a mediocridade dos primeiros, contudo o nível é de baixo para morno. As coisas só melhoram quando Son Goku enfrenta os grandes vilões das tramas, Super 17 (do arco onde os vilões fogem do inferno) e Li Shenlong (do arco dos dragões malignos).

E mesmo assim, nada que chegue a empolgar.

No fim das contas, se a série fosse realmente empolgante, ela não teria durado míseros 64 episódios.


4. Resgate do Clima Dragon Ball

"Trunks, no próximo passo do plano, você precisará passar uma noite na casa do Coringa."
Quando decidiu produzir a Fase GT, a Toei Animation (aka empresa EVIL de animação japonesa) pretendia além de faturar mais alguns trocados com a série recuperar o clima de humor e aventura do primeiro Dragon Ball, algo que acabou se perdendo durante a Fase Z.

E convenhamos, recuperar aquele humor sacana e o espírito de aventura das primeiras era uma proposta muito promissora.

Contudo, a merda burrada começou quando os responsáveis pelo anime decidiram que para resgatar o clima da primeira animação era necessário que Goku voltasse a ser criança. Ou seja, para que criar histórias com mais humor explorando um personagem mais "maduro" se podemos utilizar uma fórmula que já deu certo?

Se considerarmos que desde o início da franquia nós acompanhamos o crescimento, o desenvolvimento e amadurecimento de Son Goku ao longo dos anos, transforma-lo em criança somente para tentar replicar piadas é um puta de um grande RETROCESSO na historiografia do personagem.

E sabe o que é pior?

Mesmo investindo com força no humor, DBGT não é engraçado. Na tentativa de seguir a cartilha no que deu certo, a Toei esqueceram de um pequeno detalhe em seus roteiros: o humor característico de Akira Toriyama. Por conta disso, a grande maioria das situações cômicas são mais bobas do que engraçadas.

Situações como Goku sendo sequestrado por dois pilantras, Trunks precisando se passar como a mulher do Coringa e o grande campeão do 23º Torneio de Artes Marciais perder um torneio INFANTIL por escorregar na borda do ringue ficaram longe de serem divertidas.

Entretanto, é claro que houveram alguns acertos como a excelente sequência onde Vegeta e Bra retornam de um passeio no shopping. :D




Sério caros leitores, seria muito maneiro ver situações onde pretendentes a namorados da Bra tivessem que encarar o SOGRÃO.


3. Personagens Mal Explorados

Um grande elenco desperdiçado. =/
Durante a série, quantas falas Tenshinhan, Chaos, Oolong, Mestre Karin tiveram? Quantas vezes o Mestre Kame realizou alguma safadeza algum ato pervertido? Quantas vezes Trunks e Goten recorreram a fusão em combate? Quantos inimigos Uub e o Sr. Boo conseguiram derrotar? Quantas vezes Piccolo precisou exercer o papel de tutor? Além de inspirar hentais, quais foram os grandes momentos de Bra e Marrom?

Obviamente que as respostas para essas perguntas não são satisfatórias.

Embora tenha herdado um elenco rico, Dragon Ball GT não teve competência em explorá-los. Com algumas raras exceções (Goku, Vegeta e Bulma), a maioria dos personagens ou são relegados a pequenas pontas (Yamcha, Tenshinhan, Chaos) ou tem seu potencial desperdiçado (Uub, Goten, Trunks, Bra) ou são simplesmente descartados (Piccolo e Sr. Boo).

"Ahh, mas é muito difícil dar espaço a tantos personagens." - algum de vocês devem estar pensando.

Verdade.

Tanto que até o próprio Akira Toriyama teve problemas com os personagens em seu último arco para Dragon Ball (a Saga Boo). Na ocasião, o mangaká conseguiu com que a maioria do elenco regular participasse da trama. Mas para isso, ele teve quebrar a cabeça já que apenas os Sayajins eram capazes de enfrentar o grande vilão. Por conta disso, o restante do elenco acabou obrigado a exercer outras funções para o andamento da história, onde alguns eram mais importantes (Piccolo ajudou Goten e Trunks a dominarem a fusão) outros menos (alguém disse Yamcha Rei Cutelo?).

Se o próprio Toriyama teve dificuldades em explorar os personagens que ele mesmo criou, era nítido que a Toei Animation também teria. E para complicar ainda mais a vida do estúdio, a decisão de fazer com que o GT se passasse dez anos após o 28º Torneio de Artes Marciais (o epilogo da Fase Z) acabou se revelando um tiro no pé.

O motivo é simples: eles acabaram criando um espaço de 20 anos onde a Terra viveu totalmente em paz. Sem a necessidade de treinar para enfrentar um grande inimigo, com exceção de Goku e de Uub, a maioria dos personagens deixou de praticar artes marciais (isso sem contar que alguns membros do time ainda atingiram a terceira idade nesse intervalo de tempo). E considerando que a progressão de poder dos inimigos de Dragon Ball sempre aumenta, no fim essa decisão acabou por diminuir o número pessoas capazes de participar de forma efetiva dos combates.

Nas mãos de pessoas mais capacitadas, era bem possível que as perguntas do inicio deste tópico tivessem uma resposta mais positiva. Só que infelizmente, a Toei dos anos 90 não contava com esses indivíduos durante a produção de DBGT.


2. Boas Ideias, Péssimas Realizações

Como deixar Shenlong ainda mais ameaçador? Dando-lhe um charuto, claro!
Mesmo dedicando este artigo para falar mal apontar os principais defeitos de Dragon Ball GT, uma coisa eu tenho que admitir: ao menos no papel, o anime contava com boas ideias. E elas estão presentes em todos os arcos da série.

Na primeira grande saga, por exemplo, ter como grande antagonista um Tsufurujin (raça exterminada pelos Saiyajins) foi uma boa sacada, mesmo sendo uma ideia reciclada dos especiais Plano para Erradicar os Saiyajins (Saiyajin Zetsumetsu Keikaku, 1993). Já na segunda, trazer de volta antigos vilões para atazanar a vida dos heróis, embora também não seja original (isso inclusive já serviu de plot para um dos filmes da Fase Z), foi algo bacana. Na terceira e derradeira trama do anime, colocar as Esferas do Dragão, as grandes salvaguardas de Goku e seus amigos, como os últimos grandes inimigos foi algo novo e muito interessante.

Entretanto, mesmo contando com argumento promissores, o anime conseguiu errar no desenvolvimento de TODOS eles.

No primeiro arco, até o grande confronto entre Son Goku e Baby, é necessário aturar esperar por quase 30 EPISÓDIOS de viagem marasmo espacial entre outros momentos extremamente esquecíveis (lembram de como Goku recuperou a sua cauda?). No segundo arco (que está mais para "mini arco" já que conta apenas com 6 episódios), com exceção do rápido e emocionante reencontro entre Vegeta e Nappa, a maioria dos combates contra os vilões é decepcionante (a luta de Goku contra Freeza e Cell que o diga). Já na última e mais esperada saga da série, somente três dos sete Dragões Malignos eram inimigos dignos de nota,  tanto que contra quatro deles o nosso protagonista contou apenas com o auxilio de sua neta.

Tudo bem que contra o último e mais poderoso dragão, todos os personagens que possuíam condições de lutar foram ajudar, mas é bizarro pensar que no momento em os sete inimigos surgiram pelo mundo, SOMENTE a jovem Pan saiu para ajudar o Sayajin.

As sementes dos deuses deviam estar em falta. :P

Por fim, temos ainda a criação do Super Sayajin 4, uma das ideias mais interessantes e bacanas do GT. Quanto a sua execução...bem...o anime teve êxito em mostrar o SSJ4 como um nível poderoso, mas precisava fazer o Goku adotar a estratégia “Seiya de Pégaso de combate” em todos os momentos em que ele aciona a transformação?

Quanto ao visual animalesco criado por Katsuyoshi Nakatsuru, apesar de destoar bastante dos outros níveis, temos que reconhecer que foi uma ideia corajosa e "fora-da-caixa". Entretanto, após olhar a imagem abaixo....


...fica difícil não enxergar a transformação como uma fusão entre um Sayajin e a Pantera Cor-de-Rosa. hehehe


1. DBGT não é Criação de Akira Toriyama

"Achou mesmo que eu tinha participação na história do GT?"
"Ele pode não ter criado, mas ela participou do GT como supervisor. " – acredito que algum de você deva ou não ter pensado exatamente isso.
Olha, não sei quanto a vocês, mas eu lembro de ter lido essa informação em uma Revista Ultra Jovem na minha época de colégio. E por conta disso, durante muito tempo acreditei que Akira Toriyama havia exercido esta função durante a produção do anime.... até descobrir recentemente que não foi bem isso o que aconteceu.

Quando Dragon Ball GT foi lançado em DVD no Japão, cada Box veio com uma cópia de uma carta escrita pelo próprio Toriyama. E em certo momento do texto, ele diz o seguinte:

"GTでボクがやったことといえば このタイトルと最初の主要メンバー、一部のメカデザインと数枚のイメージカットだけですが、ずっとドラゴンボールを続けていただいてきた優秀なスタッフのみなさんなので 安心して おまかせすることができたのです。"

"In GT, the only contributions that I made were the title, the initial main character designs, some of the mecha designs, and a number of image cuts. But thanks to the excellent staff that I was having keep continuing Dragon Ball, I was able to relax and leave it to them."

Fonte: Kanzenshuu
Ou seja, a participação de Akira consistiu especificamente em character design. E faz muito sentido que ele só tenha feito isso, afinal de contas após finalizar o manga pela Shonen Jump, ele estava de saco cheio farto de Dragon Ball...diferente da Toei Animation, que estava faturando horrores com a franquia.

Por conta dos filmes que produziu para a fase Z, o estúdio do gato de botas feliz acreditou que seria capaz de conduzir sozinho uma continuação para a saga. E mesmo com os roteiristas da Toei tentando emular vários aspectos presentes na obra de Toriyama, o resultado final ficou muito aquém do trabalho do mangaká.

Mas sejamos justos, por mais que tenham falhado em captar o espírito da obra original, os roteiristas de DBGT fizeram um trabalho muito mais digno que Ben Ramsey, o grande responsável pelo roteiro de Dragon Ball Evolution (2009).

Se bem que ali, nem Chow Yun-Fat salva. :P


E o Hour Concur vai para...

A série Budokai ajudou a manter a franquia viva depois do desastre do GT.
...DBGT Quase Matou a Franquia

Não é segredo algum que a Fase GT fracassou na TV japonesa. Esse péssimo rendimento não é somente medido pela pequena quantidade de episódios, mas também ao número de filmes e especiais que a animação gerou. Enquanto Dragon Ball recebeu 4 longas metragens e Dragon Ball Z ganhou 13 longas metragens e 5 especiais, Dragon Ball GT teve apenas um único especial, lançado durante a exibição do desenho.

O fracasso da animação acabou desestimulando o mercado a investir em lançamentos de novos filmes, especiais para TV, OVAs e até mesmo uma nova série. Fato é: durante dez longos anos, a franquia não protagonizou um título animado sequer. Se levarmos em conta que Dragon Ball é uma das séries mais adoradas pelo público japonês e por milhares de fãs espalhados pelo planeta, é um hiato muito grande.

A franquia só voltou a ganhar forças em 2008, quando foi lançado o especial "O Retorno de Goku e Seus Amigos" em comemoração aos 40 anos da Weekly Shōnen Jump. Em 2009 a franquia ganhou aquela MERDA hollywoodiana e a série Dragon Ball Z Kai, uma versão remasterizada e enxuta de DBZ. Em 2010, o especial "O Plano para Erradicar os Sayajins" ganhou um remake de mesmo nome. E finalmente em 2013, a Fase Z está prestes de ganhar o seu décimo quarto longa, "A Batalha dos Deuses".



Acredito que a grande razão para esse renascimento da franquia foi graças aos jogos de luta - em especial, os da série Budokai - lançados na década passada. O sucesso dos jogos e a grana preta que a Namco Bandai faturou, possibilitou que a Toei voltasse a investir nas animações da série.

Mais uma vez, o mercado de games mostrando a sua força. ;)


E a posição "Pé de Chinelo" vai para...

Agora a parada ficou séria. :D
...os Vilões

O anime possui vilões horrorosos?

Claro, mas isso não significa que todos sejam ruins. Prova disso é que os vilões principais são muito legais. :D

Baby, Super 17 e Li Shenlong foram excelentes vilões, dando muito trabalho a Goku e seus amigos. E esse reconhecimento existe também por parte dos fãs, tanto que os três sempre "batem ponto" nos jogos de luta da franquia.

Só é uma pena que vilões tão legais protagonizem histórias tão ruins :(

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Atualizado em 14/02/2018

Graças a um comentário de um leitor, hoje tive a oportunidade de reler este artigo após muitos anos. Apesar de minhas opiniões sobre o anime não terem mudado muito, percebi que o artigo estava muito provocativo com aqueles que gostavam da série, algo que o meu "eu atual" considera INADMISSÍVEL.

Por conta disso,  retirei todas as provocações contidas no texto. Aos leitores e fãs de DBGT que se sentiram ofendidos, peço desculpas.

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Bem caros leitores, este foi mais um artigo atualizado de nosso NA~.

Gostaram do artigo ou não? Querem ajudar com alguma informação que esqueci ou corrigir algum equivoco da minha parte? Ou simplesmente quer falar besteira?

Deixem então um comentário nesta postagem. Acredite, sua opinião é o que move este blog a continuar existindo. ;)

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