20.2.21

[NerdFacts] Grandes Injustiças do Oscar

Pois é meus caros leitores e amigos, após mais um hiato de publicações, estamos de volta com mais um artigo neste blog que muito estimo.

Dessa vez, trago a vocês algo que penso em escrever desde os primórdios do Nerdologia Alternativa, um Tirou do Baú sobre o desenho da Liga da Justiça texto sobre as Grandes Injustiças do Oscar. E apesar da piadinha na vitrine, comentarei absolutamente nada sobre Cidadão Kane (Citizen Kane, 1941).

Fica para a próxima, Orson Welles.

Antes de começarmos, é bom deixar claro que a minha intenção aqui não é fazer um compilado das maiores injustiças cometidas pela Academia de Artes e Ciências Cinematográficas. A minha ideia é expor alguns casos que considero injustos (alguns sendo reconhecidos pela comunidade e outros não). Em outras palavras, irei cagar regra expor algumas opiniões pessoais sobre situações relacionadas a premiação. 

E como meus últimos artigos foram enormes (o último sobre Persona deu 25 páginas de Word), este será um texto muito mais modesto, contendo somente seis tópicos, digitados em modestas 8 páginas. Sim, eu me contive, admito. :P

Sem mais delongas, vamos a eles! 

 

Julia Roberts vencer a categoria de Melhor Atriz por Erin Brockovich

"E ai eu disse para ele - George, não é biscoito, é bolacha!"

Atualmente muitos devem conhecer a Julia Roberts como a tia legal da Emma Roberts. Mas, quem tem os seus 30 e poucos anos, conheceu a atriz como o grande sinônimo de estrela hollywoodiana. Durante os anos 90, Roberts era conhecida como a Namoradinha da América, título que recebeu após estrelar o filme que catapultou a sua carreira ao estrelato, Uma Linda Mulher (Pretty Woman, 1990). 

Ler o nome original deste filme sempre me traz a música do Roy Orbison na cabeça. :P 

Mais do que colocar o seu nome no imaginário do grande público (Inception?!), a comédia romântica também lhe garantiu a sua segunda indicação ao Oscar e a primeira na categoria de Melhor Atriz. Isso mesmo, a atriz já havia feito sua estreia na cerimônia um ano antes com a indicação de Melhor Atriz Coadjuvante por Flores de Aço (Steel Magnolias, 1989). Logo, tudo indicava que ela seria figurinha carimbada nas próximas premiações. 

Não foi o que aconteceu. 

Mesmo com a popularidade em alta, Julia Roberts passou o restante da década sem qualquer indicação por parte da Academia. Ela só voltaria a figurar entre os indicados em 2001, graças a sua atuação em Erin Brockovich: Uma Mulher de Talento (Erin Brockovich, 2000). Munida de uma interpretação sólida e de uma personagem real (algo que os membros do Oscar costumam valorizar muito), a Namoradinha da América finalmente conquistou a sua estatueta

Pena que ela não tenha merecido.

Sim, sei que a minha opinião irá contra o resultado das principais premiações da época (Roberts venceu a grande maioria), mas dessa vez não estarei alinhado com estes resultados por um simples e claro motivo: quem merecia o prêmio era a mamãe da Regan Ellen Burstyn por sua performance em Réquiem para um Sonho (Requiem for a Dream, 2000). 

Dirigido por Darren Aronofsky, 'Réquiem' não é um filme fácil. A forma como o longa retrata os vícios humanos é tão crua e devastadora que é quase impossível terminá-lo sem se sentir destruído por dentro. E grande parte desse sentimento vem por conta da personagem de Burstyn, uma dona de casa que acaba se viciando em remédios para emagrecimento devido ao sonho de usar um vestido antigo em um programa de TV. A inesquecível atuação da veterana é tão visceral e impressionante que a minha vontade durante os créditos finais era ligar para atriz para saber se ela estava bem. 

E digo mais, embora Jared Leto, Jennifer Connelly e até o próprio Marlon Wayans estejam muito bem em seus papéis, 'Réquiem para um Sonho' sem a Ellen perderia uma grande parte da sua carga dramática e essência. Sério mesmo, o que ela faz no longa-metragem do Aronofsky foi algo extremamente surreal. 

Se a atuação dela foi tão memorável, por que ela ficou no cheirinho perdeu?” – alguns de vocês devem estar se questionando. 

Ellen Burstyn já havia vencido uma estatueta em 1975 na categoria Melhor Atriz pelo drama Alice Não Mora Mais Aqui (Alice Doesn't Live Here Anymore, 1974). Além disso, naquela fatídica noite de 25 de março de 2001, a veterana estava concorrendo contra uma das atrizes mais populares DO MUNDO. Acredito que esses dois motivos foram decisivos para que ela não ficasse com o prêmio. 

Apesar do reconhecimento das grandes premiações da época, o fato de Burstyn não ter levado um prêmio sequer por conta deste papel é algo tão difícil de aceitar quanto o destino da sua personagem no filme.


‘A Bússola de Ouro’ vencer a categoria de Melhores Efeitos Visuais

Creio que membros da Academia nunca assistiram um comercial natalino da Coca-Cola.

Graças a trilogia ‘O Senhor dos Anéis’ (The Lord of the Rings) de Peter Jackson, os estúdios de cinema passaram a enxergar o mês de dezembro como um período propício para grandes lançamentos que antes estavam restritos ao verão norte-americano (também conhecido como época dos blockbusters). Nos anos seguintes, o último mês do ano se viu como referência para a chegada de superproduções como As Crônicas de Nárnia: O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa (The Chronicles of Narnia: The Lion, the Witch and the Wardrobe, 2005), King Kong (2005), Eragon (2006) e A Bússola de Ouro (The Golden Compass, 2007), que como vocês perceberam pelo título e pela piadinha infame na imagem acima, é um dos nossos principais assuntos do tópico.

Adaptação do primeiro livro da série ‘Fronteiras do Universo’ (His Dark Materials) de Philip Pullman que não é parente do Bill, o filme do diretor Chris Weitz contava com elenco mega estrelado (Nicole Kidman, Daniel Craig, Ian McKellen, Eva Green, Ian McShane, Sam Elliott, Christopher Lee e Kathy Bates) e um orçamento capaz de recriar todo o universo pensado por Pullman (180 milhões de doletas). Com tamanho investimento e dedicação por parte da New Line Cinema, o filme tinha tudo para dar certo...só não contavam que nem a crítica, nem o público e muito menos os fãs do livro ficariam muito satisfeitos com o que assistiram. 

Esta insatisfação com a obra acabou se refletindo nas bilheterias. Embora tenha conseguido expressivos 302 milhões no mercado externo, nos Estados Unidos a produção ficou muito longe de se pagar, faturando apenas 70 milhões de doletas. Ou seja, um baita FRACASSO.

Mesmo com o resultado decepcionante, o prêmio de consolação para o longa dos Ursos Polares da Coca-Cola veio meses depois. Indicado na categoria de Melhores Efeitos Visuais, o filme superou o grande favorito – o Transformers (2007) de Michael Bay – e levou para casa a estatueta dourada. Particularmente, NUNCA consegui engolir a vitória de ‘A Bússola de Ouro’. Passaram quase treze anos desta fatídica premiação e continuo com o mesmo pensamento, que ‘Transformers’ foi GARFADO na cara dura.

Imagino que muitos de vocês estejam pensando “não posso acreditar que ele vai defender essa bosta esse filmeco”. E veja bem meus caros leitores, entendo perfeitamente que tenham este pensamento. Afinal de contas, Michael Bay causou um belo estrago na imagem da franquia. Contudo, é preciso lembrar que, ao contrário das sequências, o filme original é bem legal. Embora Bay esteja na direção, a presença de Steven Spielberg – que é produtor executivo – ajudou a segurar os maneirismos do diretor, resultando em uma adaptação competente e com grandes cenas de ação. 

Quanto aos efeitos visuais, em ano em que tivemos Piratas do Caribe: No Fim do Mundo (Pirates of the Caribbean: At World's End, 2007), Homem-Aranha 3 (Spider-Man 3, 2007), Harry Potter e a Ordem da Fênix (Harry Potter and the Order of the Phoenix, 2007) e A Lenda de Beowulf (Beowulf, 2007), ‘Transformers’ foi a produção que mais me surpreendeu neste quesito. Os efeitos visuais não só adaptaram de forma eficaz as transformações dos Autobots e dos Decepticons como também tornaram os sobreviventes de Cybertron em personagens bastante críveis em tela. E graças a direção “mais controlada” do diretor que adora explodir as coisas e fazer planos em 360º, quando dois robôs entravam em combate, era possível sentir o peso de cada golpe trocado entre eles.

Lembram que eu mencionei que o filme era o grande favorito ao Oscar? Esse favoritismo se construiu graças ao seu desempenho durante a época de premiações, onde ele levou quase todos os prêmios relacionados a efeitos visuais. Os mais importantes foram recebidos durante a 6º Premiação da Sociedade de Efeitos Visuais (6th Visual Effects Society Awards), onde se sagrou o grande vitorioso da edição. O longa-metragem conquistou 4 dos 6 prêmios que foi indicado. Os outros dois acabaram sendo vencidos pela 3º aventura de Jack Sparrow e seus amigos.

E quanto a ‘A Bússola de Ouro’?

Apenas uma indicação e nenhum prêmio.

Sério, o que esse pessoal da Academia bebeu quando escolheu este filme

Acredito que foi tequila o fato do longa de Chris Weitz ter sido lançado no período dos filmes destinados a premiação (ele chegou aos cinemas em 7 de dezembro de 2007) acabou ajudando a fixá-lo na memória dos votantes. Há também quem defenda que os membros da Academia tenham aversão aos filmes do Michael Bay (convenhamos, dá para entender o motivo :P).

Seja qual for o motivo, a derrota de Optimus Prime e cia foi uma das maiores injustiças que já presenciei na categoria de Melhores Efeitos Visuais. Ok, também não engulo o fato de Tron: O Legado (Tron Legacy, 2010) não ter recebido uma indicação pelos seus efeitos, mas isso fica para outro artigo...


‘Operação Big Hero’ vencer a categoria de Melhor Animação

Baymax é incrível, mas não o suficiente para merecer um Oscar.

Embora longas-metragens em animação existam desde o início do século passado – com o primeiro sendo El Apóstol (1917) do argentino Quirino Cristiani – a categoria de Melhor Animação só passou a existir a partir da edição de 2002, com Shrek (2001) como o primeiro vencedor do prêmio. Apesar da vitória do Ogro da Dreamworks, o que se viu nos anos seguintes foi uma completa dominância por parte da Disney (em especial da Pixar). Para vocês terem uma ideia, das dezenove edições da premiação, a Casa do Mickey Mouse só perdeu em SEIS oportunidades. 

Sendo bastante justo, a grande maioria dessas vitórias foram merecidas. Produções como Procurando Nemo (Finding Nemo, 2003), Wall-E (2008), Toy Story 3 (2010) e Zootopia (2016) - só citando algumas - foram amplamente superiores a seus concorrentes pelo prêmio. Entretanto, é claro que entre esses treze prêmios houve casos em que a marca Disney teve muito mais peso do que a qualidade do filme. O Oscar de Operação Big Hero (Big Hero 6, 2014) na edição 2015 foi um grande exemplo disso.

Vejam bem, não acho que a animação seja um filme ruim, muito longe disso. A qualidade da animação é muito competente, a trama é bem construída, Baymax é um personagem cativante e ainda temos Stan Lee fazendo uma ponta como o pai do Marcos Mion...ops digo...como o pai do personagem dublado pelo Mion. 'Operação Big Hero' é uma grande animação e merecia, sem sombra de dúvidas, estar entre os indicados. Mas ele não era o melhor entre os selecionados.

Como Treinar o Seu Dragão 2 (How To Train Your Dragon 2, 2014) seria uma escolha muito mais justa da Academia. Segundo capítulo da melhor série de filmes de animação criada pela Dreamworks chupa Shrek, a sequência das aventuras de Soluço e Banguela não é apenas uma animação melhor que a concorrente, mas também é uma aula de como se produzir uma sequência. A obra apresenta um amadurecimento em vários aspectos em relação a sua antecessora: a qualidade da animação é superior, os personagens evoluíram muito de uma película a outra (no primeiro eram crianças e agora são adolescentes), a aventura da trama é muito maior e a perda que protagonista precisa enfrentar é ainda mais devastadora. 

Durante a temporada de premiações, tudo indicava que a “empresa do pescador lunar” finalmente levaria o seu segundo Oscar. Após levar para casa um Globo de Ouro, a animação ainda se sagrou a grande vencedora do Annie Award 2015 – aka Oscar das Animações – conquistando seis das oito categorias que concorreu. Claro, é preciso citar que uma das que perdeu (Realização Notável em Efeitos Animados) foi para 'Operação Big Hero'. Contudo, tudo leva a crer que naquele ano o lugar da Disney seria na plateia.

Mesmo merecendo muito mais, 'Como Treinar Seu Dragão 2' não seria a minha escolha para o prêmio. Se dependesse deste que vos escreve, o grande vencedor seria O Conto da Princesa Kaguya (Kaguyahime no Monogatari, 2013). Sério meus caros leitores, esta animação é uma verdadeira OBRA PRIMA. O que o Studio Ghibli nos entrega aqui é algo próximo de assistirmos a um quadro pintado a tinta óleo em movimento. 

Não tem como não ficar maravilhado com este filme.

‘Princesa Kaguya’ também esteve presente nas principais premiações da época, mas não obteve o mesmo destaque que seus concorrentes. Acredito que o fato de ser baseado em uma lenda japonesa sem final feliz acabou prejudicando a animação durante as votações. Claro, ser uma produção estrangeira em meio a várias produções locais também é algo que não deve ser descartado como motivo. Mas de qualquer maneira, com ou sem prêmios, este é um filme é um filme que necessita ser apreciado por qualquer pessoa que se diz amante de cinema e de animações. 

Assistam e comprovem.


‘Spotlight: Segredos Revelados’ vencer como Melhor Filme

A expressão Mark Ruffalo foi a mesma que tive ao presenciar a vitória de 'Spotlight'

Na última década (2011 – 2020), as edições do Oscar década foram marcadas por escolhas pra lá de questionáveis ao prêmio da categoria de Melhor Filme. Discurso do Rei (The King's Speech, 2010) em 2011, Argo (2012) em 2013, Birdman ou (A Inesperada Virtude da Ignorância) (Birdman or (The Unexpected Virtue of Ignorance), 2014) em 2015 e Green Book: O Guia (Green Book, 2018) em 2019 são exemplos de vitórias que não deixaram público e crítica inteiramente satisfeitos. Alguns inclusive cof cof Green Book cof cof, serão presenças garantidas em edições futuras deste artigo.

Certamente, a vitória mais questionável – e injusta – da década passada aconteceu durante a edição de 2016, onde Spotlight: Segredos Revelados (Spotlight, 2015) se sagrou o grande vencedor do prêmio mais disputado da noite. O longa de Tom McCarthy superou produções como O Regresso (The Revenant, 2015), Perdido em Marte (The Martian, 2015), A Grande Aposta (The Big Short, 2015) e Mad Max: Estrada da Fúria (Mad Max: Fury Road, 2015).

Antes de mais nada, é preciso ressaltar que ‘Spotlight’ é um ótimo filme. Além de trazer para tela a história por trás da investigação do jornal Boston Globe nos casos de abuso sexual infantil envolvendo a Arquidiocese Católica da cidade, o elenco se mostra muito afiado frente a um tema bastante pesado (Mark Ruffalo está sensacional). É o tipo de obra que toda faculdade de jornalismo deveria exibir para os seus estudantes.

Só que a escolha do longa como Melhor Filme foi algo bastante incoerente para os padrões da premiação. Veja bem meus caros leitores, é verdade que o vencedor do prêmio principal nem sempre será aquele que acumulou a maior quantidade de vitórias na noite, mas normalmente, o grande vencedor termina levando no mínimo quatro troféus para casa. E sabem quantos o longa de Tom McCarthy levou ao final?

Somente dois.

Como que o melhor filme conta apenas dois prêmios? Isso não faz sentido. Se 'O Regresso' tivesse levado a categoria principal, seria algo totalmente aceitável já que contava com três vitórias, sendo que duas delas em categorias de peso (Melhor Ator e Melhor Diretor). Roteiro Original é um prêmio incrível, mas sozinho ele não é o suficiente para sustentar o merecimento do Oscar Principal.

E sendo bastante sincero...este prêmio era de ‘Mad Max: Estrada da Fúria’

Ok ok, sei que ‘Estrada da Fúria’ não possui um roteiro tão rico quanto de ‘Spotlight’ e que não conta com atuações dignas de premiação (embora sejam todas muito boas). No entanto, o longa-metragem de George Miller foi um dos maiores ESPETÁCULOS AUDIOVISUAIS que presenciei no cinema nos últimos anos. Foi um dos pouquíssimos filmes que me deixaram eufórico do começo ao fim.

O longa é uma verdadeira ópera do caos pós apocalíptico. :D

Isso é mérito total do Miller (o George, não o Frank). O diretor poderia muito bem ter juntado todo o elenco, gravado suas cenas em um estúdio e deixado todo o trabalho pesado para o departamento de efeitos visuais. Não foi o que ele fez. Para rodar o longa, ele levou a sua equipe para o deserto da Namíbia onde filmou as cenas de perseguição usando dublês e muitos efeitos práticos. E isso, meus caros leitores, é o que garante grande parte do realismo e da adrenalina nas sequências de perseguição.

E claro, somado a isso a trilha sonora espetacular de Junkie XL (que não recebeu indicação pelo trabalho), uma edição que não faz o espectador perder nenhum detalhe em meio ao caos e personagens incríveis – Max Rockatansky, Immortan Joe e claro, a Imperatriz Furiosa - temos um dos filmes mais marcantes dos últimos anos. Na boa, se cada pessoa, seja um espectador comum, cinéfilo ou crítico, elaborar a sua lista de longas-metragens dos últimos dez anos, a chance do quarto ‘Mad Max’ estar presente é muito superior a ‘Spotlight’.

A Academia teve a chance de premiar um dos filmes da década e optou em não o fazer. A falta de tato dos membros desta instituição é algo impressionante.


‘Esquadrão Suicida’ levar o prêmio de Melhor Maquiagem

Suas definições para "péssima adaptação de quadrinhos" foram atualizadas.

Embora seja o mais controverso dos longas-metragens do DCEU - isto porque estamos a dias do lançamento do famigerado ‘Zack Snyder’s Justice League’ (aka SnyderCut do filme da Liga) - Batman v Superman: A Origem da Justiça (Batman v Superman: Dawn of Justice, 2016) não é o pior filme deste universo cinematográfico. Decepcionante? Com toda certeza. Mas não dá para dizer que é a maior porcaria que a Warner/DC produziu, especialmente quando se tem um Esquadrão Suicida (Suicide Squad, 2016) no mesmo balaio.;

A obra do diretor David Ayer não é apenas a pior coisa já produzida neste universo cinematográfico da DC, é uma das adaptações de quadrinhos mais DESASTROSAS que tivemos na última década. Graças a uma série de refilmagens visando transformá-lo em algo mais próximo de um Guardiões da Galáxia (Guardians of the Galaxy, 2014), o projeto se transformou em um verdadeiro Monstro de Frankenstein. São tantas cenas com tons diferentes nesta colcha de retalhos que o resultado é um filme totalmente sem tom e sem alma.

Poderia também citar o roteiro queijo suíço, os personagens insossos (Oi Capitão Bumerangue), os péssimos antagonistas (Magia destaque de Escola de Samba), o deslocado (e descolado :P) Coringa do Jared Leto e o Batman que ataca, sem qualquer pudor, um vilão no momento em que ele está passeando com a sua filha menor...mas o meu objetivo aqui não é apontar os inúmeros defeitos desta bomba nuclear...ao menos desta vez.

Apesar do grande desastre homérico que descrevi, ‘Esquadrão Suicida’ não só garantiu números bastantes expressivos na bilheteria – garantiu mundialmente 746,8 milhões de doletas – como também conseguiu a façanha de receber uma indicação na categoria de Melhor Maquiagem e Penteado....E AINDA CONSEGUIU VENCÊ-LA!!!

Deixando a minha raiva por ter gastado o meu dinheiro e o meu tempo para ver esta bosta nos cinemas de lado e (tentando) sendo bem racional, por mais bizarro que seja ver um filme tão ruim concorrer a uma estatueta no Oscar, a sua indicação faz sentido. Personagens como o Crocodilo, Arlequina, Magia e o próprio Coringa são frutos de um trabalho competente de maquiagem realizado pela equipe do trio Alessandro Bertolazzi, Giorgio Gregorini e Christopher Allen Nelson. Só que mesmo merecendo a indicação, a vitória do longa é algo inaceitável, ainda mais considerando que Star Trek: Sem Fronteiras (Star Trek Beyond, 2016) estava na disputa.

Sério, aqui era o tipo de situação que não tinha comparação. Sim, a recriação do Crocodilo como um personagem em live-action foi bastante impressionante, só que ele parece fato comum dentro da diversidade de novas espécies de alienígenas apresentada em ‘Sem Fronteiras’. Vencedor do Oscar de Maquiagem pelo reboot cinematográfico de Star Trek (2009), Joel Harlow (que aqui faz parceria com Richard Alonzo) conseguiu entregar um trabalho ainda mais impressionado do que aquele que garantiu o prêmio.

Querem ver só? O vilão de Idris Elba é um belo exemplo do que Harlow e Alonzo foram capazes. Krall era um oficial humano da Frota Estelar que perdeu a sua aparência humana após utilizar uma tecnologia alienígena (ela prolonga a sua vida do usuário ao retirar a força vital de outros seres vivos). A partir do terceiro ato, o antagonista passa aos poucos a regredir para a sua forma humana. E cada passo dessa metamorfose é apresentado no filme usando apenas maquiagem.

Outro personagem que vale destacar é uma tripulante alien da Enterprise que escondia um artefato do vilão Krall em sua nuca. E como ela fazia isso? A parte posterior da sua cabeça era uma espécie de caixa que se abre como se fosse várias patas de um caranguejo. E meus caros leitores, que coisa espetacular. Esta foi uma das personagens que mais me impressionaram quando assisti o longa no cinema.

Agora, se as minhas palavras não estão sendo o suficiente para convencer vocês, basta observarem a imagem abaixo:

Só digo uma palavra: UAU!

Saquem só a complexidade e a riqueza de detalhes desta alienígena. Tudo isso feito usando apenas maquiagem e sem um único pixel de computação gráfica. Um trabalho simplesmente espetacular. Mas na opinião dos votantes do Oscar, o “Coringa MC Guimê” é muito mais impressionante.

Parabéns campeões!


Peter O’Toole: Múltiplas Indicações e Nenhum Prêmio

Academia, não cometa com a Glenn Close a mesma injustiça que vocês fizeram com Peter O'Toole.

Quem aqui não se lembra da jornada de Leonardo DiCaprio em busca de seu primeiro Oscar?

Cercada de bastante expectativa e de memes, a cruzada do ator terminou em 2016, quando venceu o prêmio de melhor ator pelo seu papel em 'O Regresso'. Não há dúvidas que DiCaprio é um profissional talentosíssimo, mas mesmo com este reconhecimento, ele só conseguiu a sua estatueta em sua quinta indicação a premiação. E olha que ele já merecia ter vencido pelas suas performances em O Aviador (The Aviator, 2004) e O Lobo de Wall Street (The Wolf of Wall Street, 2013).

Costumamos acreditar que grandes atores de Hollywood são como Jack Nicholson e Daniel Day-Lewis, que possuem tantas estatuetas que podem se dar ao luxo de usar algumas como peso de papel, mas a realidade está mais próxima do caso do DiCaprio, onde atores e atrizes levam alguns anos para serem premiados e, quase sempre, não pelos papéis de suas vidas. Mas há casos ainda piores, como o de Peter O’Toole.

Britânico de ascendência irlandesa, O’Toole foi um ator que despontou para o mundo durante a última década da famosa Era de Ouro Cinema. Reconhecido como um ator Shakespeariano durante o período que atuou no teatro, ele trouxe toda experiência dos palcos para os sets de filmagem. Para vocês terem ideia, ele colecionou em sua filmografia grandes obras como Lawrence da Arábia (Lawrence of Arabia, 1962), O Leão no Inverno (The Lion in Winter, 1968), A Classe Governante (The Ruling Class, 1972), O Substituto (The Stunt Man, 1980) e O Último Imperador (The Last Emperor, 1987).

Participou também de algumas produções bem safadas de ruim questionáveis como Supergirl (1984), mas isso não vem ao caso. :P

Desde que despontou para o mundo no papel T.E. Lawrence, a maioria das grandes atuações do britânico foram reconhecidas com indicações ao Oscar, só que elas nunca foram o suficiente para lhe render uma estatueta. Veja bem, seria uma situação completamente aceitável...se não fosse pelo fato dele ter sido indicado OITO VEZES!!!

Isso mesmo que vocês leram, OITO indicações e nenhum prêmio.

Um ator do quilate de Peter O’Toole não ter vencido um Oscar por si só já é um escândalo. Dar a esperança em oito indicações e fazê-lo retornar de mãos abanando em todas é uma PUTA SACANAGEM com o profissional. A má-vontade dos membros da Academia com o ator acabou o transformando no maior perdedor da história do Oscar, título que o próprio lhe conferiu após a sua última participação na premiação.

Quando digo que existia um desinteresse pelo ator é porque houve oportunidades em que ele merecia levar o prêmio para casa, mas os votantes acabaram optando por outras pessoas. Em 1963, não seria nenhum absurdo se tivesse vencido por seu papel em Lawrence da Arábia, mas acabou perdendo para o papai do Damian Gregory Peck de O Sol é para Todos (To Kill a Mockingbird, 1962), que na época passava por uma fila de indicações sem prêmios. Entretanto, o absurdo aconteceu em 1969, quando o ator – que fora indicado pelo trabalho em O Leão no Inverno - perdeu o prêmio para o Tio Ben do Peter Parker Cliff Robertson de Os Dois Mundos de Charly (Charly, 1968).

E detalhe: a vitória de Roberton veio da ÚNICA indicação que ele teve em sua carreira.

Percebendo a injustiça que estava cometendo com o britânico, a Academia resolveu em 2003 entregar a ele um Oscar Honorário pelas suas contribuições com a história do cinema. Embora soasse como um grande prêmio de consolação - o que na verdade é - ao menos foi a oportunidade do astro finalmente subir ao palco principal e receber os aplausos do público após sete tentativas frustradas.

Sete?! Mas você não disse que ele teve oito indicações?

 Isso mesmo. Acontece que quatro anos depois, O’Toole teve a sua última chance de concorrer ao Oscar (até porque ele faleceu em 2013) graças a sua interpretação no longa-metragem Venus (2006). Seria a chance perfeita para Oscar reparar a forma como tratou o ator em suas premiações passadas. O problema é que havia um Forest Whitaker com o seu O Último Rei da Escócia (The Last King of Scotland, 2006) pelo caminho.

Até o universo conspirou para que Peter O’Toole não vencesse o seu Oscar. :(

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OBS: Se vocês ficaram com um gostinho de "quero mais", recomendo o excelente texto escrito pela Giovanna Pini.

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